Mercado

Feijão segue caro e repasses continuam

Por outro lado, a procura por lotes de melhor qualidade continua aquecida.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
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Os preços do feijão continuam em alta em 2026 e os aumentos observados no campo estão chegando, aos poucos, ao bolso do consumidor. Segundo levantamento do Cepea, a combinação entre redução da área plantada e problemas climáticos nas primeiras safras do ano diminuiu a oferta de grãos e sustentou as fortes valorizações do mercado.

De janeiro a maio deste ano, o preço do feijão carioca pago ao produtor avançou entre 85% e 90%, considerando a média das regiões acompanhadas pelo Cepea. Já o feijão preto registrou alta de 51,7% no mesmo período.

No varejo, os reajustes também já são percebidos. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, mostram que apenas em maio o preço do feijão carioca subiu 6,44%, enquanto o feijão preto teve aumento de 2,07%.

No acumulado de 2026, o cenário é ainda mais expressivo. O feijão carioca apresenta alta de 41,09% ao consumidor, enquanto o feijão preto acumula valorização de 13,69%, evidenciando que os aumentos no campo estão sendo repassados gradualmente ao longo de toda a cadeia produtiva.

Apesar das altas, os segmentos atacadista e varejista seguem cautelosos nas compras junto às indústrias processadoras. A preocupação está relacionada à capacidade de absorção desses preços pelo consumidor e ao comportamento da demanda nos próximos meses.

Por outro lado, a procura por lotes de melhor qualidade continua aquecida. Grãos com boa coloração, uniformidade, menor percentual de defeitos e maior padronização seguem encontrando compradores e sustentando os negócios.

Na prática, isso significa que o produtor que conseguiu preservar a qualidade da lavoura, mesmo diante das adversidades climáticas, está encontrando um mercado mais favorável e com maior potencial de remuneração.

Para quem ainda possui feijão armazenado, o momento exige atenção ao mercado e ao estado de conservação dos grãos. A qualidade pode fazer toda a diferença na formação do preço. Já para os produtores que estão planejando a próxima safra, o atual cenário reforça a importância de investir em manejo adequado, planejamento de plantio e estratégias que reduzam os riscos climáticos e produtivos.

Por que isso importa?

O feijão é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros e, ao mesmo tempo, uma cultura bastante sensível às condições climáticas. Quando problemas de produção reduzem a oferta, os preços reagem rapidamente. Isso cria oportunidades de rentabilidade para produtores que conseguem manter produtividade e qualidade, mas também aumenta a responsabilidade no planejamento da próxima safra.

🔧 Informação útil: Se você produz feijão, acompanhe de perto a qualidade dos lotes armazenados e as condições de mercado. Em momentos de preços elevados, grãos bem classificados e armazenados corretamente costumam receber prêmios adicionais e podem ampliar significativamente a rentabilidade da atividade.

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