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EUA reduzem compras de café capixaba

Segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), entidade que representa os exportadores capixabas, a principal explicação para essa perda de mercado está relacionada a problemas climáticos enfrentados pelo Brasil nos últimos anos.

Gustavo Loose
Especialista
1 min de leitura
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Os Estados Unidos, que durante anos foram o principal destino do café exportado pelo Espírito Santo, vêm perdendo espaço no mercado capixaba. Nos primeiros meses de 2026, os embarques para o país representaram apenas 4% das exportações estaduais, o menor percentual registrado nos últimos 20 anos.

Para se ter uma ideia da mudança, em 2006 os norte-americanos compravam 26% de todo o café exportado pelo Espírito Santo. Em 2015, essa participação chegou a 31%. Desde então, o volume destinado ao mercado dos Estados Unidos caiu de forma consistente.

Segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), entidade que representa os exportadores capixabas, a principal explicação para essa perda de mercado está relacionada a problemas climáticos enfrentados pelo Brasil nos últimos anos.

A severa seca registrada no Espírito Santo entre 2016 e 2017 reduziu significativamente a produção de café conilon, justamente o produto que vinha conquistando espaço no mercado norte-americano. Mais tarde, a geada que atingiu áreas produtoras de Minas Gerais em 2021 também afetou a disponibilidade de café no país.

De acordo com o CCCV, esses eventos obrigaram parte da produção a ser direcionada ao mercado interno, reduzindo a oferta para exportação e abrindo espaço para concorrentes internacionais em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Outro fator apontado pelo setor é a logística. Atualmente, a ausência de linhas marítimas diretas entre o Porto de Vitória e os Estados Unidos dificulta a competitividade dos embarques capixabas. Em muitos casos, o café precisa ser transportado para portos como Santos (SP) ou Rio de Janeiro (RJ), aumentando custos e prazos de exportação.

O impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos também foi sentido, principalmente no segmento de café solúvel. O Espírito Santo abriga um dos maiores parques industriais de café solúvel do Brasil e o produto foi um dos últimos itens brasileiros a ter as tarifas suspensas, após decisão da Suprema Corte norte-americana em fevereiro de 2026.

Os números mostram essa dificuldade. Em 2024, foram exportadas 206 mil sacas de café solúvel para os Estados Unidos. Em 2025, o volume caiu para 146 mil sacas, uma redução de 29,6%. Em 2026, até 20 de maio, os embarques somavam apenas 38 mil sacas.

Para o produtor rural, essa mudança reforça a importância da diversificação de mercados. Embora os Estados Unidos continuem sendo um dos maiores consumidores de café do planeta, a demanda internacional está cada vez mais distribuída entre diferentes países e regiões.

🔧 Orientação prática: Se você acompanha o mercado cafeeiro, fique atento aos relatórios de exportação e aos movimentos da logística portuária. A recuperação ou perda de mercados internacionais pode influenciar diretamente a demanda, os preços pagos ao produtor e as oportunidades de comercialização da safra.

Fonte: Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).

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