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CNA pede R$ 623 bilhões no Plano Safra

Do total solicitado, R$ 104,9 bilhões seriam destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Plano Safra
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao governo federal uma proposta com dez prioridades para o Plano Safra 2026/27. O principal pedido é a liberação de R$ 623 bilhões em crédito rural para o próximo ciclo agrícola, além de R$ 4 bilhões destinados ao seguro rural.

Segundo a entidade, o objetivo é garantir mais previsibilidade para o produtor e melhorar as condições de financiamento em um momento de juros elevados, custos de produção pressionados e maior risco climático.

Do total solicitado, R$ 104,9 bilhões seriam destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial. A CNA também pede que esses recursos venham exclusivamente do crédito rural tradicional, mantendo linhas específicas para custeio, investimento e comercialização.

O documento foi entregue pelo presidente da CNA, João Martins, ao ministro da Agricultura, André de Paula, e reúne propostas que tentam dar mais estabilidade ao planejamento do agro brasileiro.

Entre os principais pontos defendidos está a criação de um modelo plurianual para o Plano Safra. Na prática, isso significa que o orçamento agrícola deixaria de depender apenas de decisões anuais e passaria a ter planejamento de médio prazo.

Para quem produz, isso pode representar maior previsibilidade.

Hoje, muitos produtores enfrentam dificuldade para planejar investimentos porque o calendário agrícola nem sempre acompanha o calendário orçamentário do governo. Em várias situações, recursos são liberados com atraso ou precisam de complementação ao longo do ano.

Segundo a CNA, esse descompasso prejudica desde pequenos produtores até cooperativas e agentes financeiros.

Outro destaque é o reforço no seguro rural.

A entidade pede R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), ferramenta que ajuda a reduzir o custo da contratação do seguro agrícola.

Esse tema ganha peso principalmente em anos de clima instável.

Com secas, excesso de chuva, geadas e eventos extremos mais frequentes, o seguro passou a ser visto como ferramenta importante para proteger renda e reduzir riscos financeiros no campo.

Além do crédito e do seguro, a CNA também propõe medidas para aliviar a pressão financeira sobre os produtores.

Entre elas estão:

  • ampliação dos fundos garantidores;

  • renegociação de dívidas;

  • atualização dos limites de renda para enquadramento em programas como Pronaf e Pronamp;

  • redução de burocracias no crédito rural;

  • fortalecimento de programas de investimento, como RenovAgro, PCA e Proirriga.

A entidade também defende maior participação do mercado de capitais no financiamento do agro, ampliando mecanismos privados de captação de recursos.

Na prática, isso pode abrir novas alternativas além do crédito bancário tradicional.

O pedido da CNA acontece em um cenário de margens mais apertadas em várias cadeias produtivas.

Custos elevados, juros altos e maior volatilidade internacional têm pressionado a rentabilidade em diferentes regiões do país.

Por isso, o debate sobre o próximo Plano Safra deve ganhar força nos próximos meses, principalmente porque muitos produtores já começam a planejar investimentos, compra de insumos e estruturação da safra 2026/27.

🔧 Orientação:
Se você pretende buscar crédito rural na próxima safra, vale acompanhar desde já as discussões sobre o Plano Safra e revisar sua documentação financeira e produtiva. Ter cadastro atualizado, histórico de produção organizado e planejamento de custos pode facilitar o acesso às linhas de financiamento quando os recursos forem anunciados.

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