Café recua com pressão global
No mercado físico brasileiro, compradores reduziram os valores das ofertas acompanhando as quedas externas.
O mercado de café encerrou a semana passada sob forte volatilidade nas bolsas internacionais, pressionado pelo cenário geopolítico global e pelas expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27. A combinação entre guerra no Oriente Médio, alta do petróleo, juros elevados e incertezas econômicas fez os contratos de café oscilarem intensamente em Nova York e Londres.
Ao mesmo tempo, as projeções de uma possível safra recorde no Brasil aumentaram a pressão sobre os preços futuros da commodity.
Segundo informações divulgadas pelo Cecafé, o Brasil embarcou 3,12 milhões de sacas de café em abril de 2026, volume ligeiramente superior ao registrado em abril de 2025 e também acima do exportado em março deste ano.
Apesar disso, os embarques de café arábica seguem mais fracos. Em abril, houve queda de 15,9% nas exportações de arábica em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano-safra 2025/26, iniciado em julho de 2025, os embarques da variedade recuaram 17,2%.
De janeiro a abril deste ano, o Brasil exportou 8,98 milhões de sacas de arábica, volume 23,4% menor que o registrado no mesmo período de 2025.
Nas bolsas internacionais, os contratos futuros apresentaram fortes oscilações ao longo da semana. Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos de arábica para julho fecharam a sexta-feira cotados a US$ 2,6690 por libra-peso, com queda diária de 3,19%.
Já na ICE Europe, em Londres, o robusta para julho encerrou o pregão a US$ 3.365 por tonelada, baixa de 3,5%.
Mesmo com a queda nas bolsas, a desvalorização do real frente ao dólar ajudou a reduzir parte das perdas no mercado brasileiro. Em reais por saca, os contratos futuros para julho fecharam a semana próximos de R$ 1.789.
No mercado físico brasileiro, compradores reduziram os valores das ofertas acompanhando as quedas externas. Ainda assim, negócios continuaram ocorrendo diariamente, embora em ritmo considerado abaixo do necessário para atender a demanda das exportações.
Segundo o Escritório Carvalhaes, há interesse comprador para diferentes padrões de café, mas o ambiente segue marcado por cautela diante da volatilidade internacional e das incertezas econômicas.
🔧 Para o cafeicultor, o momento exige atenção redobrada ao câmbio, aos custos de produção e às oportunidades de comercialização. Em períodos de forte oscilação, acompanhar contratos futuros, fluxo de exportação e movimentos do dólar pode ajudar na tomada de decisão sobre vendas e travas de preço.
Fonte: Escritório Carvalhaes