Coluna Daniel Scotá

O segredo da fertilidade do solo que os chineses descobriram há 2.500 anos

Da sabedoria milenar à agricultura moderna: entenda como a adubação verde e o uso de plantas de cobertura contribuem para a fertilidade do solo, a ciclagem de nutrientes e a atividade biológica.

Daniel Scotá
Especialista
10 min de leitura
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Eu vou morrer defendendo o uso da adubação verde e das plantas de cobertura!

E aqui vai uma curiosidade: na China, existem registros de mais de 2.500 anos que já descreviam práticas agrícolas relacionadas ao manejo da vegetação para melhorar a fertilidade do solo. Os agricultores haviam observado que o aproveitamento da vegetação espontânea, após o corte e a decomposição, favorecia o desenvolvimento das culturas.

Essas práticas aparecem em antigos registros chineses, como o Yue Ling (月令), conhecido como Ordenanças Mensais, que integra o Li Ji (礼记), ou Livro dos Ritos. Trata-se de um dos registros históricos mais antigos associados aos princípios da adubação verde.

O mais interessante é que os agricultores chineses já utilizavam práticas de manejo da vegetação para melhorar a fertilidade do solo muito antes de conhecerem os mecanismos científicos da fixação biológica de nitrogênio, da mineralização da matéria orgânica e da ciclagem de nutrientes.

É óbvio que roçar a vegetação e plantar sobre os resíduos não é necessariamente a mesma coisa que fazer adubação verde. A adubação verde envolve o cultivo ou o manejo de plantas com a finalidade de beneficiar o solo e o sistema produtivo. Já a manutenção dos resíduos na superfície está mais diretamente relacionada à cobertura morta e à conservação do solo.

Uma alternativa que considero particularmente interessante é o mix de plantas de cobertura. A utilização de diferentes espécies pode proporcionar três benefícios fundamentais.

O primeiro está relacionado à ciclagem de nutrientes, uma vez que diferentes espécies apresentam capacidades distintas de absorção, acúmulo e liberação de nutrientes.

O segundo está relacionado à exploração do perfil do solo. Espécies com sistemas radiculares diferentes, tanto em profundidade quanto em volume e arquitetura, podem explorar distintas camadas do solo, contribuindo para sua estruturação.

Por fim, temos também os benefícios relacionados à comunidade microbiana do solo. A diversidade vegetal pode favorecer uma comunidade microbiológica mais diversificada, com efeitos positivos sobre a atividade biológica e a dinâmica dos nutrientes.

Uma das maiores dificuldades que encontramos na implantação desses mixes é a mistura de sementes de diferentes tamanhos, pequenas, médias e grandes. Essa diferença pode provocar a segregação das sementes durante a operação de semeadura, dificultando a distribuição uniforme das espécies.

Mas, se todas as vezes que encontrarmos dificuldades nos processos decidirmos deixar de fazer alguma coisa, ficaremos presos à mediocridade até o fim de nossas vidas.

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