Faculdade de Agronomia: o conselho que eu gostaria de ter recebido no primeiro período
Depois de desperdiçar boa parte dos primeiros anos da graduação, entendi que a formação de um bom agrônomo começa muito antes do estágio ou do primeiro emprego: começa na forma como ele encara os estudos.
Hoje me perguntaram qual dica eu daria para um estudante de Agronomia que está começando uma graduação. Bom, eu poderia dar várias dicas, mas a que vou falar para vocês neste artigo é, talvez, a mais importante: estude de verdade.
Eu confesso que empurrei com a barriga meus estudos até o sexto período da graduação. Eu fazia o mínimo possível apenas para não reprovar nas disciplinas. Obviamente, eu era bem imaturo e minha cabeça estava mais nas festas das repúblicas do que propriamente na minha formação. A coisa só começou a mudar a partir do sétimo período, quando eu, então bolsista da CAPES, comecei a cair na real e a tomar consciência de que a água em breve bateria nas nádegas.
Pouco tempo depois, comecei a trabalhar. Tornei-me professor de ensino fundamental em uma escola municipal, em meio período. Aqui, a chave virou de vez. Ou eu mudava meu comportamento nos estudos e começava a estudar de verdade, ou meu curso, que era previsto para cinco anos, se tornaria um curso de seis, quem sabe sete anos.
Ali, comecei a colocar tempo e energia na minha formação. Comecei a me dedicar de verdade às disciplinas. E vale lembrar que, além da minha graduação, agora eu tinha que dar conta também de planejar aulas, corrigir provas e, obviamente, passar, no mínimo, cinco horas do meu dia dentro de uma escola municipal. E, por incrível que pareça, não foi um bicho de sete cabeças, porque minha mentalidade havia mudado.
E eu reflito sobre isso constantemente: como fui ingênuo nos seis períodos iniciais da minha graduação. Se eu voltasse no tempo e iniciasse hoje minha graduação, eu me dedicaria, desde o primeiro dia de aula, a todas as disciplinas. Eu me esforçaria para atingir o máximo de desempenho possível em todas elas, inclusive naquelas que eu e você sabemos que não utilizaremos na prática.
Mas é aqui que entra o X da questão: se eu terei que passar várias horas naquela disciplina e sou obrigado a fazê-la, então vou tentar tirar dela algum benefício intelectual. E, acredite em mim, o resultado que horas de dedicação a qualquer literatura podem causar no seu intelecto é impressionante. Repito: mesmo que seja uma disciplina aparentemente irrelevante para sua formação técnica.
E aqui posso até dar um exemplo específico. Disciplinas como Cálculo (1, 2, 3...) podem fazer você pensar: “Nunca vou utilizar limite e derivada no campo!”. E é aqui que você se engana. Dedicar-se a uma disciplina como essa vai aumentar seu nível de inteligência matemática, elevar sua capacidade de raciocínio lógico e ampliar seu potencial de uso das faculdades intelectuais, o que refletirá diretamente na sua capacidade de resolução de problemas no campo.
Agora pense no resultado que cinco anos de dedicação imersiva em todas as disciplinas, principalmente nas disciplinas técnicas, podem trazer para sua formação técnica e profissional. Esse deve ser o seu objetivo primário, pois você elevará muito suas competências intelectuais, e isso o colocará em uma posição muito favorável, tanto profissionalmente quanto como pessoa.
Com sua mente focada no desenvolvimento intelectual, basta agora se dedicar, em paralelo, à parte prática, por meio de estágios, visitas e até mesmo trabalho, no sentido convencional da palavra.
Mas esse é um assunto sobre o qual falarei em um próximo artigo.