Agricultura

Soja ganha força com exportações e dólar

O USDA estima uma colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26, número muito próximo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê produção de 180,25 milhões de toneladas.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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As negociações de soja seguem aquecidas no mercado brasileiro. Além da demanda internacional firme, as indústrias nacionais intensificaram as compras nos últimos dias, aumentando a movimentação no mercado físico e sustentando o interesse pela oleaginosa.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a competitividade da soja brasileira também foi favorecida pela desvalorização do real frente ao dólar. Quando a moeda brasileira perde valor, a soja produzida no país se torna mais atrativa para compradores internacionais, estimulando as exportações e aumentando o interesse dos agentes do mercado.

Apesar desse cenário favorável para os negócios, os preços não avançaram de forma mais expressiva. O principal fator limitante é a ampla oferta mundial da commodity, que continua exercendo pressão sobre as cotações internacionais.

Os números mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse quadro. O órgão elevou sua estimativa para a produção mundial de soja na safra 2025/26 para um recorde de 429,2 milhões de toneladas. O volume é 0,4% superior à projeção anterior e 0,3% maior que o registrado na temporada passada.

Entre os principais produtores mundiais, o Brasil segue na liderança. O USDA estima uma colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26, número muito próximo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê produção de 180,25 milhões de toneladas.

Na Argentina, outro importante fornecedor global, a expectativa de produção foi elevada para 50 milhões de toneladas. O volume representa aumento de 4,2% em relação à estimativa divulgada em maio, embora permaneça 2,2% abaixo da safra anterior.

Mesmo diante da maior produção global, o Brasil mantém sua posição como principal exportador mundial de soja. Para o ciclo comercial de outubro de 2025 a setembro de 2026, o USDA projeta que o país embarque cerca de 115 milhões de toneladas da oleaginosa.

O desempenho das exportações tem sido um dos pilares de sustentação do mercado interno. Com a demanda internacional aquecida e a indústria doméstica mais ativa, a comercialização avança em ritmo mais intenso, oferecendo oportunidades para produtores que ainda possuem volumes disponíveis para negociação.

Por outro lado, o cenário exige atenção. O aumento da oferta mundial tende a limitar movimentos de alta mais expressivos nos preços, especialmente se as grandes safras do Brasil e da Argentina se confirmarem integralmente.

Se você ainda possui soja armazenada, o momento pode apresentar boas oportunidades de comercialização, principalmente em períodos de valorização do dólar e de maior demanda da indústria e dos exportadores. Entretanto, o elevado volume de produção global indica que oscilações positivas podem ser limitadas e exigir uma estratégia comercial mais planejada.

🔧 Orientação:

Acompanhe diariamente a relação entre dólar, prêmios de exportação e cotações futuras da soja. Em um cenário de oferta mundial recorde, ferramentas de comercialização, vendas escalonadas e gestão de risco podem ser fundamentais para aproveitar janelas de preços mais favoráveis.

Fonte: Cepea.

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