Seu Zarc mudou: veja o que fazer
O avanço tecnológico também trouxe melhorias na qualidade das informações utilizadas pelo Zarc.
O Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária completa 30 anos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático em 2026 com mudanças importantes para o produtor rural. A atualização da base de dados climáticos, que antes considerava informações entre 1984 e 2013 e agora utiliza dados de 1993 a 2022, alterou as janelas de plantio em 3.285 municípios brasileiros.
Na prática, isso significa que as datas recomendadas para semeadura mudaram em muitas regiões do país. Em 1.474 municípios houve redução das janelas de plantio, principalmente no Sudeste e em áreas da Zona da Mata e Semiárido nordestino. O principal motivo foi o atraso no início das chuvas e o aumento das temperaturas entre julho e setembro.
Por outro lado, 1.811 municípios tiveram ampliação das janelas de cultivo, com destaque para as regiões Norte e Sul. Em algumas áreas do Sul, por exemplo, a redução do risco de geadas permitiu antecipar o plantio com mais segurança.
Outra mudança importante envolve a segunda safra. Atualmente, 1.190 municípios brasileiros possuem condições para cultivar duas safras com menor risco climático. Com a atualização, 205 municípios passaram a ter recomendação para segunda safra, enquanto 180 perderam essa condição devido à redução das janelas de plantio.
O avanço tecnológico também trouxe melhorias na qualidade das informações utilizadas pelo Zarc. A base de dados passou de 3.500 para 4.200 séries climatológicas, incorporando informações de estações meteorológicas e de "estações virtuais", que utilizam dados de satélites e modelos meteorológicos.
Outra inovação é a mudança na classificação dos solos. Antes, eles eram divididos apenas em arenosos, médios ou argilosos. Agora, o sistema considera seis classes de disponibilidade de água no solo, levando em conta os teores de areia, silte e argila. Isso permite uma avaliação mais precisa do risco em cada talhão.
O produtor também passa a contar com o chamado Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), que considera práticas adotadas na propriedade, como cobertura do solo, diversidade de cultivos, tempo sem revolvimento, saturação por bases, teor de cálcio e saturação por alumínio. Quanto melhor o manejo, maior a resiliência da lavoura diante de períodos de seca.
Essa classificação já está sendo usada em projetos-piloto do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Na safra 2026/27, produtores de soja em estados do Sul e em Mato Grosso do Sul e produtores de milho segunda safra no Paraná e em Mato Grosso do Sul poderão receber percentuais maiores de subvenção conforme o nível de manejo adotado.
Por que isso importa? Porque o Zarc vai muito além de indicar datas de plantio. Ele influencia diretamente o acesso ao crédito rural, ao seguro agrícola e às estratégias de gestão de risco da propriedade. Plantar fora das janelas recomendadas pode aumentar a exposição às perdas climáticas e comprometer a cobertura de programas de seguro e financiamento.
🔧 Orientação prática: Antes de iniciar o planejamento da próxima safra, consulte o Zarc atualizado para o seu município e verifique se houve alteração na janela de plantio ou na recomendação para segunda safra. Se você adota práticas conservacionistas, como plantio direto e cobertura permanente do solo, acompanhe a implementação do Zarc Níveis de Manejo, que pode gerar benefícios econômicos e ampliar a segurança da sua produção no futuro.