Agricultura

Safra de conilon frustra expectativas no Espírito Santo

A maior cooperativa de conilon do Brasil, a Cooabriel, também trabalha com a perspectiva de uma safra menor.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
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A safra 2026 de café conilon começou cercada de otimismo no Espírito Santo. Após a colheita recorde de 2025, o mercado projetava uma nova safra volumosa, com possibilidade de superar os números do ano anterior. Porém, à medida que as colheitas avançam, a realidade encontrada por muitos produtores, principalmente no norte capixaba, é bem diferente.

Relatos vindos de municípios como Rio Bananal, Vila Valério, Jaguaré e Pinheiros apontam para quedas significativas de produtividade. Em algumas propriedades, as perdas estimadas variam entre 30% e 50%, chegando a até 70% em áreas específicas. O cenário tem gerado preocupação com a rentabilidade da atividade e com o planejamento da próxima safra.

Segundo especialistas e produtores, a quebra de produção está ligada a uma combinação de fatores. O primeiro deles é a própria bienalidade do cafeeiro. Após uma safra muito carregada em 2025, muitas plantas ficaram desgastadas e não conseguiram recompor adequadamente sua estrutura vegetativa para sustentar uma nova produção elevada em 2026.

Além disso, problemas no pegamento das floradas, uma onda de frio prolongada até outubro de 2025, ataques de pragas como cochonilha e broca-do-café e episódios de queda de frutos no final do ano agravaram o quadro. As lavouras mais antigas foram as mais afetadas, enquanto áreas novas, que entraram em produção recentemente, apresentaram desempenho relativamente melhor.

A maior cooperativa de conilon do Brasil, a Cooabriel, também trabalha com a perspectiva de uma safra menor. A estimativa inicial aponta para uma redução entre 10% e 15% na produção estadual em relação ao ciclo anterior, embora os números ainda dependam do encerramento da colheita.

Outro desafio é o atraso na maturação dos frutos. A colheita começou mais tarde em várias regiões, e a tendência agora é de uma concentração das operações em um período menor. Isso aumenta o risco de alguns produtores anteciparem a colheita antes do ponto ideal de maturação, o que pode reduzir o rendimento e comprometer a qualidade dos grãos.

A preocupação não está apenas na quantidade produzida, mas também na qualidade do café. Chuvas durante a colheita elevam a umidade dos frutos e dificultam a secagem. Em muitos casos, o uso de temperaturas excessivas nos secadores para acelerar o processo pode provocar defeitos sensoriais, resultando em cafés com sabores indesejáveis, como gosto de fumaça ou de café verde.

No mercado, a frustração produtiva já começa a influenciar as expectativas de preços. As adversidades climáticas no Espírito Santo e em outras regiões produtoras reforçam a percepção de que dificilmente haverá uma queda expressiva nos preços do café ao consumidor em 2026. Em um cenário de oferta menor e clima cada vez mais imprevisível, o mercado trabalha com a possibilidade de manutenção dos preços em patamares elevados ou até de novas altas.

Por que isso importa para você?

Uma safra menor significa menor diluição dos custos de produção e maior necessidade de planejamento financeiro. Reduzir investimentos em adubação e manejo para economizar no curto prazo pode comprometer ainda mais o potencial produtivo de 2027.

🔧 Orientação: Antes de cortar despesas, faça um diagnóstico da lavoura. Priorize investimentos estratégicos, especialmente em nutrição equilibrada, manejo fitossanitário e pós-colheita. Em anos de quebra, preservar a saúde das plantas e a qualidade dos grãos é fundamental para manter a rentabilidade e preparar uma recuperação mais consistente no próximo ciclo.

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