Agricultura

Fertilizante e bioinsumo na mesma aplicação

Essa tecnologia pode trazer vantagens importantes para quem produz grãos, hortaliças, café e outras culturas.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desenvolveram uma tecnologia que pode facilitar o manejo da adubação nas lavouras. A inovação permite aplicar, ao mesmo tempo, um fertilizante mineral e um agente biológico, algo que até então era limitado pela incompatibilidade entre esses produtos. A solução utiliza um revestimento biodegradável que protege o fungo Trichoderma harzianum, um dos bioinsumos mais utilizados na agricultura para estimular o crescimento das plantas e auxiliar no controle de doenças.

O grande desafio do uso desse fungo sempre foi sua baixa resistência quando armazenado ou colocado em contato direto com fertilizantes minerais, como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP). Esses produtos podem alterar o ambiente ao redor do microrganismo, reduzindo sua sobrevivência e, consequentemente, sua eficiência no campo. Para resolver esse problema, os pesquisadores encapsularam o fungo em uma matriz biodegradável à base de celulose, formando uma camada protetora aplicada diretamente sobre os grânulos do fertilizante.

Os resultados foram promissores. Após três meses de armazenamento em temperatura ambiente, os esporos protegidos mantiveram alta taxa de sobrevivência, enquanto os que não receberam o revestimento perderam até mil vezes sua vitalidade. Além de proteger o fungo, o revestimento também promove uma liberação gradual tanto do bioinsumo quanto dos nutrientes, aumentando o tempo de disponibilidade para as plantas.

Na prática, essa tecnologia pode trazer vantagens importantes para quem produz grãos, hortaliças, café e outras culturas. Imagine realizar uma única aplicação que forneça nutrientes e, ao mesmo tempo, leve ao solo um microrganismo capaz de estimular o desenvolvimento das raízes e ajudar na proteção contra patógenos. Isso reduz operações no campo, melhora a eficiência dos insumos e pode diminuir perdas de nutrientes para o ambiente.

Outro benefício está na sustentabilidade. Como o fertilizante é liberado de forma mais lenta e controlada, há menor risco de desperdícios, lixiviação e emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a tecnologia utiliza materiais biodegradáveis e pode aproveitar derivados da celulose produzidos a partir de resíduos agrícolas, fortalecendo os princípios da bioeconomia circular.

Embora os resultados em laboratório sejam animadores, a tecnologia ainda passará por novas etapas de validação em diferentes culturas e condições de campo antes de chegar ao mercado. O objetivo agora é comprovar seu desempenho em escala comercial e tornar essa inovação acessível aos produtores.

🔧 Orientação prática: Os bioinsumos vêm ganhando espaço na agricultura, mas sua eficiência depende da forma correta de aplicação. Enquanto essa tecnologia não estiver disponível comercialmente, siga sempre as recomendações técnicas para fertilizantes e inoculantes, evitando misturas que não sejam indicadas pelo fabricante e preservando a eficácia de ambos os produtos.

Fonte: Embrapa.

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