El Niño pode aumentar o preço do cacau
Os reflexos já começam a aparecer no mercado.
O retorno oficial do El Niño voltou a colocar o mercado global de cacau em estado de atenção. O fenômeno climático foi confirmado pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) após o aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode trazer impactos importantes para a produção mundial nos próximos meses.
A preocupação do mercado não é apenas com o clima, mas também com o atual nível dos estoques globais. Após os fortes problemas de oferta registrados entre 2023 e 2024, quando os preços chegaram a ultrapassar US$ 10 mil por tonelada, os estoques ainda permanecem abaixo da média histórica, tornando o mercado mais vulnerável a qualquer quebra de produção.
Hoje, mais da metade do cacau consumido no mundo vem de apenas dois países: Costa do Marfim e Gana, localizados na África Ocidental. Durante eventos de El Niño, essas regiões costumam enfrentar períodos mais quentes e secos, reduzindo a disponibilidade de água para as lavouras e afetando o desenvolvimento das plantas.
Os reflexos já começam a aparecer no mercado. Somente no último mês, o preço internacional do cacau avançou cerca de 20%, mesmo acumulando queda no ano. Analistas avaliam que os investidores estão voltando a precificar o risco climático para a safra 2026/27.
Segundo projeções do Citi, o cacau pode alcançar US$ 5 mil por tonelada nos próximos três meses e chegar a US$ 6 mil em um horizonte de doze meses caso os efeitos do El Niño se intensifiquem. A instituição também reduziu suas estimativas de produção para importantes países produtores, incluindo Costa do Marfim, Gana e Equador.
Além do clima, outros fatores aumentam a preocupação. Muitos produtores africanos enfrentam dificuldades para adquirir fertilizantes e insumos, enquanto parte das lavouras apresenta envelhecimento das plantas, reduzindo o potencial produtivo. Essa combinação pode ampliar os impactos caso o fenômeno climático ganhe força durante o segundo semestre.
Especialistas destacam que a atenção do mercado já está voltada para a safra 2026/27. É nesse período que os efeitos do clima poderão ser percebidos com maior intensidade na floração e formação dos frutos, etapas fundamentais para definir o volume da produção mundial.
Por que isso importa?
Mesmo para produtores brasileiros que não cultivam cacau, a notícia serve como alerta sobre o peso que os eventos climáticos exercem nas commodities agrícolas. Mercados com estoques apertados costumam reagir rapidamente a qualquer ameaça de quebra produtiva, provocando oscilações expressivas nos preços.
🔧 Informação útil: Se você produz cacau, este é um momento importante para reforçar o monitoramento nutricional da lavoura e acompanhar as previsões climáticas para a próxima safra. Em cenários de maior instabilidade, plantas bem nutridas e manejadas tendem a apresentar maior resiliência diante de estresses ambientais.
Fonte: Reuters.