Chuvas excessivas ameaçam safra de cacau
Outro fator de preocupação é o aumento do risco de doenças fúngicas e da pressão de insetos-praga.
Fortes chuvas e céu nublado nas principais regiões produtoras de cacau da Costa do Marfim acenderam um alerta para o mercado global. Agricultores do maior produtor de cacau do mundo temem que o excesso de umidade provoque inundações e aumente a incidência de doenças e insetos, comprometendo a reta final da safra intermediária, que vai de março a agosto.
A Costa do Marfim está no período chuvoso, que normalmente se estende de abril até meados de novembro. Na última semana, diversas regiões registraram volumes de chuva acima da média histórica. Em Abengourou, no leste do país, foram registrados 74,3 milímetros de chuva, cerca de 11 milímetros acima da média dos últimos cinco anos. Já em Daloa, importante polo produtor, as precipitações atingiram 50,6 milímetros, superando em 20,2 milímetros a média histórica.
Os produtores afirmam que ainda há volumes significativos de cacau nas árvores, mas o excesso de nebulosidade tem dificultado a secagem natural dos frutos e elevado o teor de umidade dos grãos. Compradores já demonstram preocupação com a qualidade do produto, uma vez que a alta umidade pode comprometer o armazenamento e favorecer problemas fitossanitários.
Outro fator de preocupação é o aumento do risco de doenças fúngicas e da pressão de insetos-praga. Ambientes excessivamente úmidos favorecem o desenvolvimento de patógenos e podem reduzir a produtividade e a qualidade da produção. Além disso, inundações podem prejudicar o sistema radicular das plantas e dificultar os trabalhos de manejo nas propriedades.
Ao mesmo tempo, os agricultores já começam a voltar suas atenções para a próxima safra principal, que ocorre entre setembro e março e responde pela maior parte da produção de cacau do país. A partir de julho, os produtores iniciarão o monitoramento do desenvolvimento das novas floradas e da formação dos frutos.
Embora o cenário ocorra na África Ocidental, os reflexos podem ser sentidos em todo o mercado global. A Costa do Marfim responde por cerca de 40% da produção mundial de cacau, e qualquer ameaça à sua oferta tende a influenciar os preços internacionais da commodity.
Para o Brasil, que também produz cacau e possui uma cadeia em expansão, especialmente na Bahia e no Pará, problemas climáticos nos principais países produtores podem abrir oportunidades de mercado e sustentar preços mais firmes. Por outro lado, o episódio reforça uma realidade cada vez mais presente na agricultura mundial: a crescente vulnerabilidade das lavouras aos extremos climáticos.
Exemplo prático: Assim como o excesso de chuva preocupa os produtores de cacau na Costa do Marfim, condições de alta umidade no Brasil também exigem atenção em diversas culturas, pois favorecem doenças fúngicas, dificultam operações de campo e podem comprometer a qualidade dos produtos colhidos.
🔧 Informação: Se você produz cacau ou outras culturas sensíveis à umidade, intensifique o monitoramento das áreas durante períodos chuvosos. Acompanhe previsões climáticas, observe sinais iniciais de doenças e mantenha o manejo fitossanitário atualizado. Agir preventivamente costuma ser mais eficiente e menos custoso do que corrigir perdas após a instalação dos problemas no campo.
Fonte: Reuters.