Agricultura

Ácido bórico ou octaborato?

Na prática de campo, a compatibilidade com misturas de tanque também é um fator relevante.

Daniel Scotá
Especialista
3 min de leitura
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A nutrição com boro (B) é um dos pontos mais sensíveis do manejo agrícola, principalmente em solos arenosos, com baixa matéria orgânica ou sob condições de alta precipitação. Isso acontece porque o boro é um micronutriente com alta mobilidade no solo e pode ser facilmente perdido por lixiviação.

Independentemente da fonte aplicada, a planta absorve o boro quase exclusivamente na forma de ácido bórico (H₃BO₃). Isso ocorre porque essa é a forma química que não possui carga elétrica, o que facilita sua passagem pelas membranas celulares por fluxo de massa. Assim, tanto o ácido bórico quanto outras fontes solúveis de boro acabam sendo convertidos no solo para essa mesma forma antes da absorção pelas raízes.

Dessa forma, a diferença entre as fontes não está na forma como a planta absorve o nutriente, mas sim no comportamento do fertilizante antes de chegar até a planta. É nesse ponto que o manejo e a escolha do produto fazem diferença.

O ácido bórico é uma das fontes mais tradicionais de boro. Ele apresenta cerca de 17% de B em sua composição e alta solubilidade em água. Por outro lado, o octaborato de sódio possui teor de boro um pouco maior, em torno de 20% a 21%, o que significa que uma menor quantidade de produto é necessária para fornecer a mesma dose de nutriente por hectare. Isso impacta diretamente o transporte, armazenamento e a logística de aplicação.

VEJA TAMBÉM: COMO DIFERENCIAR A DEFICIÊNCIA DE BORO E ZINCO >>>

Outro ponto importante é a solubilidade. O octaborato de sódio apresenta solubilidade em água significativamente elevada, podendo atingir valores próximos ou superiores a 100 g/L a 20°C. Essa característica o torna bastante eficiente para aplicações via fertirrigação e também para uso em pulverizações foliares, onde são necessárias soluções homogêneas e estáveis, especialmente quando há necessidade de caldas mais concentradas.

Na prática de campo, a compatibilidade com misturas de tanque também é um fator relevante. O ácido bórico, por ser uma substância de caráter ácido, pode influenciar o pH da calda de pulverização, o que em algumas situações pode afetar a estabilidade da mistura com defensivos agrícolas. Já o octaborato de sódio tende a apresentar pH neutro a levemente alcalino, o que pode favorecer a compatibilidade com determinados produtos fitossanitários, reduzindo riscos de precipitação ou perda de eficiência da aplicação.

No solo, outro aspecto relevante é a dinâmica de disponibilidade do boro. Por ser um nutriente facilmente lixiviado, especialmente em solos de textura arenosa e baixa capacidade de retenção, o risco de perdas após chuvas intensas é significativo. Embora ambas as fontes acabem convertidas em ácido bórico no solo, o octaborato de sódio passa por um processo de hidrólise antes dessa conversão, o que pode influenciar levemente sua dinâmica de liberação e comportamento imediato após a aplicação.

Na prática agrícola, isso significa que não existe uma fonte “melhor” em termos absolutos. A escolha entre ácido bórico e octaborato de sódio deve considerar o sistema de produção, a forma de aplicação (solo, foliar ou fertirrigação), a necessidade de compatibilidade com outros produtos e as condições de manejo da área.

Informação útil para o produtor

Antes de definir a fonte de boro, é importante avaliar o tipo de solo, o histórico de chuvas da região e o sistema de aplicação utilizado na propriedade. Em muitos casos, a eficiência do manejo está mais ligada à forma de aplicação e ao momento correto de uso do que à escolha isolada do produto.

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