Mercado

Preços globais dos alimentos recuam em maio, mas cereais e açúcar seguem em alta

O principal fator que puxou o índice para baixo foi o mercado de óleos vegetais.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
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Os preços mundiais dos alimentos registraram uma leve queda em maio, segundo levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Apesar do recuo de 0,2% no índice geral, alguns produtos importantes para o agro continuaram em trajetória de alta, especialmente cereais e açúcar.

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO fechou maio em 130,8 pontos, ligeiramente abaixo dos 131,0 pontos registrados em abril. Mesmo com essa pequena queda, o indicador ainda está 2,9% acima do observado no mesmo período do ano passado.

O principal fator que puxou o índice para baixo foi o mercado de óleos vegetais. Os preços do segmento recuaram 4,6% em maio, registrando a primeira queda mensal de 2026. O movimento foi influenciado principalmente pela desvalorização dos óleos de palma e soja, diante de expectativas de menor demanda internacional e incertezas no mercado de energia.

Por outro lado, os cereais continuaram avançando. O índice do grupo subiu 2,6% no mês. O trigo registrou a quarta alta mensal consecutiva, impulsionado por preocupações com a oferta exportável em importantes produtores, como os Estados Unidos. Além disso, o aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes também contribuiu para sustentar as cotações.

O milho seguiu a mesma tendência. Segundo a FAO, a demanda internacional mais aquecida e perspectivas de oferta mais apertada no Brasil e nos Estados Unidos ajudaram a elevar os preços do cereal.

O açúcar foi outro destaque. As cotações avançaram 7,5% em maio, refletindo preocupações do mercado com um possível aperto na oferta global nos próximos meses. Ainda assim, os preços permanecem abaixo dos níveis registrados há um ano.

Além dos preços, a FAO divulgou novas projeções para a produção mundial de cereais. A entidade estima uma colheita global de 2,98 bilhões de toneladas na temporada 2026/27, volume cerca de 2% inferior ao registrado no ciclo anterior. A expectativa é de redução na produção dos principais grãos, com destaque para o trigo, que deve apresentar a maior queda percentual.

Para o produtor brasileiro, esse cenário merece atenção. Altas nos preços internacionais de cereais costumam influenciar diretamente mercados como milho, trigo e rações, além de impactar os custos de produção em diversas cadeias do agronegócio.

🔧 Orientação: Se você trabalha com grãos ou atividade pecuária dependente de ração, vale acompanhar de perto o comportamento dos mercados internacionais e dos fertilizantes. A combinação entre oferta global menor e custos elevados de produção pode gerar oportunidades de comercialização, mas também pressionar os custos das próximas safras.

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