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Agricultura de precisão: ferramenta de gestão na rentabilidade e produtividade de grãos

Daniel Vilar
Especialista
22 min de leitura
Agricultura de precisão: ferramenta de gestão na rentabilidade e produtividade de grãos
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A agricultura de precisão é um processo gerencial. São várias as ferramentas utilizadas dentro da agricultura de  precisão,  tais  como:  eletrônica  embarcada,  geoestatística,  sensores,  etc,  sendo  que  a  tecnologia  de  informação  é usada  no  manejo  da  propriedade  e  leva  em  consideração  a  variabilidade  espacial  e  temporal  que  podem  interferir  na produtividade  e  rentabilidade.  Nesse  contexto, o  objetivo  deste  trabalho  foi realizar  um  levantamento  bibliográfico, apresentando os conceitos de agricultura de precisão, seu foco na rentabilidade, bem como sua utilização na produção de  grãos.  Trata-se de uma  revisão  bibliográfica  simples  em  que  foram  pesquisados  artigos  científicos  a respeito  da agricultura de precisão e sua utilização com foco na rentabilidade e produção de grãos. Para tanto, as plataformas de pesquisa  utilizadas  foram  o  Google  Acadêmico,  o  Scielo  e  a  Elsevier,  por  meio  das  palavras-chave:  agricultura  de precisão,rentabilidade  e produção  de  grãos.  A  agricultura  de  precisão  na  produção  de  grãos  é  uma  ferramenta  que auxilia o produtor na tomada de decisões, além de proporcionar economia, devido à redução da utilização de insumos e menor  impacto  no  meio  ambiente,  se  tornando,  dessa  forma,  essencial  para  que  informações  sejam  obtidas  com  o intuito de melhor entender e gerenciar os sistemas de produção agrícola. Além disso, a busca por mais informações e inovações por parte do agricultor brasileiro que o auxiliem na sua rotina de trabalho e aumentem sua rentabilidade faz com que a agricultura de precisão seja cada vez mais empregada, já que essa busca por inovações será essencial para destacar o Brasil quanto ao abastecimento mundial de alimentos nos próximos anos.

Contextualização e análise 

A   agricultura   teve   seu   início   de   forma pontual, em que “cada ponto da propriedade recebia somente    os    cuidados    necessários,    de    forma localizada.  Entretanto,  isso  era  um  entrave  para  as grandes  propriedades,  visto  que  este  sistema  de manejo era improdutivo eoneroso” (Fonseca, 2009, p.29).   Ainda,   a   agricultura   possui   uma   relação essencial  entre  a  sociedade  e  o  meio  ambiente, fazendo com que a preocupação com os problemas ambientais bem como a dimensão da sustentabilidade se torne cada vez mais importantes naspesquisas     relacionadas     ao     agronegócio (Vitouseket al., 2009). 

Outro     ponto     importante     é     que     as propriedades  agrícolas  são  desuniformes,  tanto  em relação   aos   fatores   de   produção,   tais   como: fertilidade, topografia, clima, quanto à  produtividade obtida.  Dessa  forma,  cada  parte  das  plantações precisam   de   um   manejo   característico   para   a otimização da rentabilidade do produtor e minimizar os impactos ambientais (Puschet al., 2019). 

Assim,    existiu    a    necessidade    de    se potencializar  o  manejo  com  o  intuito  de  elevar  a produtividade   das   grandes   propriedades   rurais. Assim,  a  busca  por  equipamentos  tecnológicos  se tornou  cada  vez  maior.  Além  disso,  o  uso  de  uma estrutura potente e segura, a fim de diagnosticar os possíveis  impactos  ambientais,  nas  atividades  do agronegócio, tem sido exposto como uma tendência em   países   líderes   na   produção   de   alimentos (Vitouseket  al.,  2009).  Diante  disso,  essa  maneira de realizar agricultura, considerando a desuniformidade    das   lavouras   é   chamada   de Agricultura de Precisão.

Nos  primórdios  da  agricultura  era  difícil  o acesso   a   equipamentos   tecnológicos   suficientes para atender a demanda das grandes propriedades, então, a solução encontrada na época foi considerar a propriedade de forma homogênea, isto é, aplicar a mesma    quantidade    de    insumos    em    toda    a propriedade,     sem     considerar     a     variabilidade presente, proporcionando aumento da produtividade e  fazendo  com  que  os  custos  com  o  manejo  se tornassem  menos  onerosos.  Com  o  passar  dos anos  houve  “o  surgimento  de  novas  tecnologias  e isto  fez  com  que  os  problemas  quanto  ao  manejo localizado voltaram a rodear a agricultura, já que os equipamentos   tecnológicos,   que   era   o   elo   que faltava  para  permitir  tal  manejo,  já  existem” (Fonseca, 2009, p.29). 

Além  disso,  o  crescimento  da  população mundial  deixa  claro  a  pressão  sobre  os  sistemas agrícolas e o aumento da demanda em converter as extensões remanescentes de ecossistemas naturais em   agroecossistemas,   o   que   fará   com   que   os sistemas  agrícolas  se  adequem  para  atender  as necessidades  de  produção  de  alimentos  (Foleyet al., 2011).

Nesse  contexto,  soluções  inovadoras  são consideradas como o: 

“Grande motor do desenvolvimento econômico   e   dos   ganhos   de   produtividade   e sustentabilidade.    A    capacidade    de    inovar    é essencial   para   a   obtenção   e   manutenção   da competividade  em  um  mercado  global.  Este  fato  é particularmente  verdade  no  setor  agropecuário,  no qual novas tecnologias têm proporcionado aumentos    significativos    de    produtividade    com sustentabilidade” (Bassoiet al., 2019, p.19). 

Os   sistemas   de   produção   agropecuários brasileiros   vêm   passando   por   modificações,   as quais  indicam  a  diminuição  da  mão  de  obra  e, simultaneamente,  para  a  intensificação  do  seu  uso. Conforme  IBGE  (2015)  mostrou  que  84,72%  da população  brasileira  era   urbana  e  esse  número tende a aumentar cada vez mais. Isto tem feito com que   a   população   rural   diminua,   levando   a   um impacto  na  disponibilidade  e  qualidade  da  mão  de obra no campo (Bassoiet al., 2019). 

Manyikaet al. (2017) relataram que 50% de todas as atividades hoje realizadas por trabalhadores  poderão  ser  automatizadas  até  2055 e  que  a  revolução  digital  bem  como  a  automação acontecerão tanto na agricultura  quanto em setores de produção de alimentos. Diante disso, a utilização de   automação,   com   máquinas,   equipamentos   e sensores    será    essencial     para    assegurar     a segurança   alimentar   no   futuro   e   tais   mudanças serão  importantes  no  sentido  de  trazer  ganhos  em eficiência,  ajudando  a  agricultura  a  se  tornar  uma atividade  cada  vez  mais  sustentável  (Bassoiet  al., 2019).  E  é  nesse  contexto  que  a  agricultura  de precisão tem se tornado cada dia mais importante. 

Várias  aplicações  referentes  à  utilização  de GPS,    equipamentos,    dispositivos    e    programas computacionais direcionados     à     obtenção     e processamento  de  dados  georreferenciados  vendo sendo   relacionadas   à   prática   da   Agricultura   de Precisão  em  lavouras  de  grãos  no  Brasil  (Resendeet   al.,   2014),   e   isto   se   torna   cada   vez   mais importante já que a produção brasileira deve chegar a  333,1  milhões  de  toneladas  nos  próximos  dez anos.

Entre    as    regiões    produtoras,    as    que apresentaram  maiores  aumentos  relativos  tanto  de produção quanto de área são Norte e Centro-Oeste, destacando-se os estados de Tocantins e Rondônia que   devem   liderar em   produção   e   expansão, juntamente  com  o  Mato  Grosso,  que  segue  na frente, liderando a produção de milho e soja no país (Brasil, 2021). 

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento bibliográfico, apresentando    os    conceitos    de    agricultura    de precisão, seu  foco  na  rentabilidade, bem  como  sua utilização na produção de grãos.

Agricultura de precisão

O  termo  agricultura  de  precisão  se  refere  a uma   prática   agrícola   na   qual   a   tecnologia   de informação  é  usada  no  manejo  da  propriedade e leva  em  consideração  a  variabilidade  espacial  e temporal   que   podem   interferir   na   produtividade. Assim,  levando-se  em  consideração  esses  fatores, pode-se  obter  maior  retorno  econômico  ocasionar menor impacto ao meio ambiente (Mantovani, 2000; Caraski &Mingotte,   2015).   Outro   aspecto   da agricultura    de    precisão    é    que    ela    visa    o “gerenciamento detalhado do  sistema de  produção agrícola    como    um    todo,    não    somente    nas aplicações    de    insumos    ou    de    mapeamentos diversos,  mas  de  todo  os  processos  envolvidos  na produção” (Cassman, 1999; Miranda, 2006).

Assim,   a   agricultura   de   precisão   é   um processo   gerencial,   que   é   iniciado   a   partir   de informações   exatas,   concisas   e   se   conclui   com decisões  exatas.  É  uma  forma  de  administrar  um campo  produtivo  metro  a  metro, considerando-se  o fato   de   que   cada   área   da   propriedade   possui características distintas (Roza, 2000).

Toledo    et    al.    (2020)    realizaram    um levantamento    bibliográfico    sobre     o    uso     da agricultura  de  precisão  (geoestatística)  no  preparo de  solo  e  concluíram  que é  preciso  entender  a variabilidade  espaço-temporal  das  propriedades  do solo  para  que  se  consiga  o  manejo  correto  da variabilidade   espacial   dos   atributos   químicos   do solo,   através   das   técnicas   de   geoestatística   na avaliação. 

O  uso  da  agricultura  de  precisão  no  campo é  considerado  um  processo  seletivo,  o  qual  não acontece  de  forma  simultânea  e  contígua  (Aracri, 2008). A definição de agricultura de precisão surgiu antes  do  momento  da  Revolução  Industrial,  como uma ferramenta para lidar com a cultura na procura do  seu  máximo  de  rendimento,  considerando  os fatores   de   localização,   fertilidade   do   solo,   entre outros.     Os     princípios     que     são     conhecidos atualmente iniciaram-se no século XX, mas foi só na década  de  80  na  Europa  e  nos  Estados  Unidos, com     o     desenvolvimento     dos     computadores, sensores  e  softwares  que  ela  se  tornou  viável  para os produtores (Caraski &Mingotte, 2015).

No  ano  de  1990  a  agricultura  de  precisão chegou ao Brasil, sobretudo por meio das empresas multinacionais,    e    a    tecnologia    utilizada    era totalmente importada. Esse início se deu através do levantamento  da  produtividade  de  grãos  e  com  o georreferenciamento     na     agricultura.     É     uma ferramenta essencial no cenário agrícola brasileiro e o  seu  crescimento  trará  retornos  positivos  para  a agricultura  nacional,  por  meio  da  potencialização dos  investimentos  de  recursos  na  produção  (Molin, 2001). 

A   agricultura   de   precisão   tem   início   na “coleta  de  dados,  análises  e  interpretação  dessas informações, bem como geração das recomendações,  aplicação  no  campo  e  avaliação dos  resultados”  (Geebers &Adamchuk,   2010). Assim, ela pode ser considerada uma sequência de conhecimentos,   na   qual   máquinas,   dispositivos, equipamentos  e  softwares  são  instrumentos  para  a coleta de dados, os quais precisam ser organizados e interpretados, suscitando informações para apoiar a gestão (Inamasu &Bernardi, 2014).

Considerada   como   uma   ferramenta   que atua em três pontos da agricultura geral, assim, seu uso   está   ligado   a   solucionar   problemas   de   ao menos    um    desses    pontos:    a    produção,    a administração  da  propriedade  e  o  meio  ambiente. Quanto   à   produção,   o   foco   da   agricultura   de precisão (AP) é melhorar o processo de produção e consequentemente,    aumentar    a    eficiência    da produção; quanto à administração da propriedade, a AP é adotada como ferramenta de gestão, ajudando na  tomada  e  decisões.  E  por  fim,  quanto  ao  meio ambiente, seu uso pode reduzir os danos causados e   levar   a   uma   produção   com   responsabilidade ambiental (Fonseca, 2009). 

Um  dos  pontos  positivos  da  agricultura  de precisão  consiste  no  gerenciamento  localizado  dos talhões  e  a  obtenção  de  um  grande  número  de informações   que   auxiliarão   para   a   tomada   de decisões,  o  que  significa  ganhos  não  mensurados ou  contabilizados  até  então.  Devido  a  isso,  a  AP  é considerada,  antes  de  tudo,  um  sistema  de gestão ou gerenciamento da produção agrícola (Balastreire, 2000). 

A    Committee    que    é    composta    pela Secretaria   da   Agricultura   do   governo   americano (COMMITTEE  1997),  considera  a  Agricultura  de Precisão  como  uma  ferramenta  de  gestão  que  usa as tecnologias da informação para aportar os dados de    múltiplas    fontes    e    auxiliar    nas    decisões pertinentes    à    produção    vegetal,    o    que    traz benefícios significativos para os produtores, que tem cada vez mais utilizado esta ferramenta.

Com   base   no   exposto,   tem-se   que   a agricultura   de   precisão   envolve   a   utilização   de tecnologias    atualizadas    para    manejar    o    solo, insumos  bem  como  as  culturas  e  isso  é  feito  de forma   apropriada,   considerando-se   as   variações espaciais e temporais nos quesitos que interferem a produtividade  dasmesmas.  Além  disso,  o  uso  da AP   está   ligado   ao   uso   das   tecnologias   como: sensoriamento   remoto,   sistemas   de   informações geográficas  (SIG)  e  o  sistema  de  posicionamento global   (GPS).   Assim,   a   AP   é   um   sistema   que envolve  o  desenvolvimento  e  o  uso  de  tecnologias de  gestão,  baseando-se  no  objetivo  principal  de maximizar    a    rentabilidade,    proporcionando    a administração  de  cada  parte  do  campo  de  forma adequada   e   se   é   um   processo   econômico   e vantajoso   fazer   a   administração   dessa   maneira (Dallmeyer& Schlosser, 1999).

Agricultura de precisão na produção de grãos

Os  diferentes  princípios  da  agricultura  de precisão  vêm  sendo  usados  com  maior  constância na  produção  de  grãos,  cana-de-açúcar,  hortícolas, frutíferas  e  silvicultura,  (Bernardi  &  Inamasu,  2014), entretanto,é    uma    tecnologia    que    apresenta potencial   elevado   para   ser   usada   em   qualquer sistema    agropecuário,    inclusive    em    sistemas integrados. 

A  agricultura  de  precisão  tem  chamado  a atenção do agricultor por estar associada à ideia de que as máquinas agrícolas quepossuem acessórios modernos   possuem   maior   autonomia   e   melhor desempenho  operacional  no  campo,  o  que  pode elevar  o  rendimento  do  trabalho  na  propriedade rural.   Este   fato   tem   feito   com   que   as   práticas agrícolas  baseadas  em  georreferenciamento  têm maior  ocorrência  entre  os  produtores  de  grãos  em grande  escala,  já  que  os  de  porte  pequeno  ainda não  almejam  chances  de  desfrutar  das  vantagens desta ferramenta (Resendeet al., 2014).

O uso da agricultura de precisão é mostrado como  uma  solução  para  aumentar  a produção  de alimentos,  quando  se  compara  a  produtividade  na cultura  da  soja  por  exemplo,  a  qual  apresentou maiores médias em relação ao sistema convencional.   Outro   aspecto   importante   a   ser considerado  é  que  países  como  Brasil,  Argentina  e EUA  poderiam  obter  incremento  produtivo  com  o uso da agricultura de precisão, pelo fato de já terem alguma  base  tecnológica  para  produzir  soja  (Artuzoet al.,2017).

O   uso   das   ferramentas   oferecidas   pela agricultura  de  precisão  tem  refletido  na  produção agrícola nacional, visto que o Brasil tem aumentado a  produção  de  grãos  como  a  soja  por  exemplo,  o que   pode   ser   verificado   no   relatório   de   safras elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento  (Conab)  no  qual  o  Brasil  produziu em  torno  de  119  milhões  de  toneladas  de  soja na safra 2018/2017 (CONAB, 2020). 

As  ferramentas  da  agricultura  de  precisão que    apresentaram    maior    contribuição    para    a evolução dos patamares produtivos foram:

“o  uso  de  instrumentos  de  navegação  por satélite  nas  máquinas  agrícolas,  o  mapeamento  da variabilidade de fertilidade dos solos, a aplicação de fertilizantes    e    corretivos    com    taxas    variáveis, monitoramento instantâneo de condições de  planta, controle   georreferenciado   de   pulverizações   e   a utilização  de  mapas  de  produtividade”(Santiet  al., 2013, p. 511).

Ferraz  et  al.  (2012)  relataram  que  para  a cultura   do   café,   a   agricultura   de   precisão   é considerada  como  as  técnicas  e  tecnologias  que podem ajudar o produtor de café quanto ao manejo da  sua  lavoura,  com  base  na  variabilidade  espacial tanto dos atributos do solo quanto da planta, com o objetivo  de  potencializar  a  rentabilidade,  elevar  a eficiência da adubação, bem como a pulverização e colheita,  resultando  no  aumento  da  produtividade  e a qualidade final dos grãos. 

Silva  et  al.  (2007)  verificou  a  viabilidade econômica  da  utilização  da  agricultura  de  precisão na  cultura  de  milho  e  soja  no  Mato  Grosso  do  Sul, sendo   usada   como   subsidio   para   tomada   de decisões  pelos  produtores  e  concluíram  que  os índices    de    rentabilidadecalculados   mostraram melhores   resultados   econômicos   no   sistema   de agricultura de precisão. 

Soares Filho e Cunha (2015) realizaram um trabalho  com  o  intuito  de  analisar  o  processo  de adoção    e    de    utilização    das    tecnologias    de agricultura  de  precisão  por  produtores  rurais  do sudoeste   do   Estado   de   Goiás,   visto   que   tal tecnologia apresenta um excelente campo para seu desenvolvimento. Através da aplicação de questionários aos produtores os autores concluíram, com    base    nos    parâmetros    avaliados,    que    a agricultura de  precisão  na  região  ainda  estava  em fase  inicial  de  adoção  e  que  a  amostragem  de  solo em  grade  bem  como  a  adubação  a  taxa  variada  a lanço foram as tecnologias mais utilizadas. 

Preceitos  da  agricultura  de  precisão  foram determinados   por   Dalchiavon   et   al.   (2011)   em condições  de  Cerrado  (Selvíria,  MS)  analisando-se as correlações lineares e espaciais dos componentes de produção bem como a produtividade da soja com a resistência mecânica à penetração   de   um   Latossolo,   em   sistema   de semeadura direta. Com base nos resultados obtidos, os autores constataram que os valores dos alcances da  dependência  espacial  a  serem  utilizados  devem estar  entre  38,1  m  e  114,7  m,  para  trabalhos  que vislumbrem  a  utilização  dos  mesmos  atributos  do seu estudo, voltados à agricultura de precisão. 

Corassa   et   al.   (2018)   identificaram   os atributos químicos do solo restritivos à produtividade de  grãos  em  Latossolos  sob  sistema  plantio  direto, com   uso   de   amostragem   de   solo   dirigida   e concluíram  que  quando  as  zonas  de  produtividade são  consideradas  na  amostragem  de  solo,  é  uma maneira   efetiva   para   se   identificar   os   atributos químicos  restritivos  à  produtividade  de  grãos,  além de oferecer orientações quanto a intervenções sitio-específicas mais precisas. 

A  definição  de  zonas  de  produtividadeem áreas  manejadas  com  agricultura  de  precisão  foi estudada  por  Santi  et  al.  (2011),  onde  os  dados  de produtividade   foram   obtidos   por   uma   colhedora dotada  de  sistema  Fieldstar®para  a  agricultura  de precisão.   Os   resultados   obtidos   permitiram   aos autores  concluir  que  a  sobreposição  de  ao  menos três mapas de produtividade oferece a diferenciação de áreas com produtividades semelhantes ao longo dos anos, além disso, a filtragem de dados é crucial para  a  eliminação  de  erros  e  análise  temporal  dos mapas.

Considerações finais

A  agricultura  de  precisão  na  produção  de grãos  é  uma  ferramenta  que  auxilia  o  produtor  na tomada    de    decisões,    além    de    proporcionar economia,   devido   à   redução   da   utilização   de insumos  e  menor  impacto  no  meio  ambiente,  se tornando,    dessa    forma,    essencial    para    que informações  sejam  obtidas  com  o  intuito  de  melhor entender   e   gerenciar   os   sistemas   de   produção agrícola. 

Além disso, a busca por mais informações e inovações  por  parte  do  agricultor  brasileiro  que  o auxiliem na sua rotina de trabalho e aumentem sua rentabilidade  faz  com  que  a  agricultura  de  precisão seja  cada  vez  mais  empregada,  já  que  essa  busca por inovações será essencial para destacar o Brasil quanto  ao  abastecimento  mundial  de  alimentos  nos próximos anos. 

Vale  destacar  que  a  agricultura  de  precisão é,   antes   de   tudo,   um   processo   gerencial   e   as ferramentas  tecnologias  como  GPS,  geoestatística, eletrônica embarcada, etc, são acessórios. A grande meta da agricultura de precisão é a rentabilidade. A produtividade   pode   ser   alcançada,   mas   não   é considerada o foco principal.

Fonte

BORGES, Lino Carlos; DOS REIS NASCIMENTO, Abadia; MORGADO, Cristiane Maria Ascari. Agricultura de precisão: ferramenta de gestão na rentabilidade e produtividade de grãos. Scientific Electronic Archives, v. 15, n. 3, 2022.

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