Robôs e IA já estão nas estufas
É o caso da startup alemã Eternal.ag, que desenvolveu robôs autônomos para colher tomates em estufas hidropônicas.
A agricultura em ambiente controlado, conhecida pela sigla CEA (Controlled Environment Agriculture), vem ganhando espaço no mundo ao combinar alta produtividade, economia de água e produção durante todo o ano. Embora represente menos de 1% da produção agrícola global, esse modelo já lidera o cultivo de culturas como tomates, pepinos, folhas, ervas e até cannabis, impulsionado pela demanda crescente por alimentos frescos, orgânicos e produzidos com menor impacto ambiental.
Segundo dados publicados pela Forbes, o setor movimentou cerca de US$ 103 bilhões em 2025 e deve dobrar de tamanho até 2030. O crescimento é impulsionado pela expansão das cidades, pela necessidade de produzir alimentos em regiões com escassez de água e terras agricultáveis e pela busca por sistemas mais resilientes às mudanças climáticas.
Apesar das vantagens, o modelo enfrenta desafios importantes. As estufas consomem cerca de 10 vezes mais energia elétrica do que a agricultura convencional, principalmente para manter temperatura, umidade, irrigação e iluminação por LEDs. Em contrapartida, utilizam até 10 vezes menos água por quilo de alimento produzido, além de reduzirem significativamente o uso de defensivos agrícolas.
Outro gargalo é a falta de mão de obra. Em países desenvolvidos, encontrar trabalhadores para atuar em estufas tem se tornado cada vez mais difícil devido às altas temperaturas e à elevada umidade desses ambientes. Para enfrentar esse problema, empresas de tecnologia apostam na automação.
É o caso da startup alemã Eternal.ag, que desenvolveu robôs autônomos para colher tomates em estufas hidropônicas. Equipados com câmeras, sensores, inteligência artificial e sistema de navegação, os equipamentos trabalham até 22 horas por dia, realizando a colheita sem danificar os frutos e com desinfecção automática da lâmina para evitar a disseminação de doenças entre as plantas.
Segundo a empresa, uma estufa de 10 hectares pode reduzir significativamente os custos com mão de obra ao substituir parte das equipes por robôs, que operam continuamente durante todo o ano. O modelo de negócio é baseado em "Robôs como Serviço" (RaaS), no qual o produtor paga conforme o volume colhido, reduzindo investimentos iniciais e aumentando a eficiência operacional.
Além da automação, outra inovação chama atenção: o aproveitamento do calor gerado por data centers para aquecer estufas agrícolas. Projetos na Europa e nos Estados Unidos utilizam a energia térmica produzida por centros de processamento de dados para manter a temperatura ideal das plantas, reduzindo custos energéticos e aumentando a sustentabilidade das operações.
🔧 O que isso significa para o produtor? Embora essa tecnologia ainda esteja concentrada em países desenvolvidos e em cultivos de alto valor agregado, ela mostra uma tendência importante para o futuro da horticultura. Automação, inteligência artificial, agricultura digital e uso eficiente de energia devem ganhar cada vez mais espaço, contribuindo para reduzir custos, enfrentar a escassez de mão de obra e aumentar a produtividade em sistemas protegidos.
Fonte: Forbes.