Nova rota pode destravar exportações de farelo
O desafio aumentou porque o Brasil vem ampliando o processamento de soja para atender à demanda da indústria de biodiesel.
O farelo de soja brasileiro deve ganhar um importante reforço logístico nos próximos meses. A VLI anunciou o início de uma operação permanente para transportar o produto por ferrovia até o Porto do Itaqui (MA), ampliando a capacidade de exportação em um momento de crescimento da produção nacional de farelo.
Até então, esse transporte acontecia apenas de forma pontual. Agora, a empresa pretende manter embarques durante todo o ano utilizando a mesma malha ferroviária que já escoa soja e milho produzidos em Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. A iniciativa busca reduzir um dos principais gargalos da cadeia: o alto custo e a limitação da infraestrutura logística.
O desafio aumentou porque o Brasil vem ampliando o processamento de soja para atender à demanda da indústria de biodiesel. Como consequência, cresce também a oferta de farelo de soja, principal ingrediente utilizado na fabricação de rações para aves, suínos e bovinos. Esse excedente exige mais capacidade de transporte e armazenagem para chegar aos mercados internacionais.
Segundo a diretora-executiva da VLI, Carolina Hernandez Tascon, reduzir os custos logísticos é essencial para aumentar a competitividade do farelo brasileiro frente à Argentina, maior exportadora mundial do produto. Um dos entraves é que o farelo precisa de estruturas específicas e segregadas de armazenagem, diferentemente dos grãos.
A expectativa é que essa situação melhore ainda mais com novos investimentos em infraestrutura. Empresas como Tres Tentos e Caramuru Alimentos estão construindo um terminal em Miritituba (PA), previsto para entrar em operação no último trimestre deste ano, ampliando a capacidade de escoamento pelo Arco Norte.
A VLI informou que os primeiros testes da nova operação começam ainda neste mês. Além de reservar espaço em seus terminais ferroviários, os terminais portuários TPSL e Tegram também passarão a armazenar e embarcar farelo de soja, fortalecendo a logística de exportação.
🔧 O que isso significa para o produtor? Uma logística mais eficiente reduz custos de transporte, melhora o fluxo das exportações e pode aumentar a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Para quem produz soja, especialmente nas regiões atendidas pelo Arco Norte, a ampliação dessa infraestrutura representa mais alternativas de escoamento e potencial valorização da produção.
Fonte: Bloomberg.