Agricultura

Chuvas interrompem queda e sustentam reação do café

As chuvas passaram a dificultar os trabalhos de colheita em algumas regiões produtoras, reduzindo pontualmente a oferta de café disponível no mercado e dando sustentação aos preços.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Depois de iniciar junho em forte baixa, os preços do café arábica voltaram a ganhar força no mercado. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a recuperação das cotações ocorreu a partir do dia 10 de junho, impulsionada pelas chuvas registradas em importantes regiões produtoras do Brasil.

No começo do mês, o avanço da colheita da safra 2026/27 aumentou a oferta de café no mercado e pressionou os preços para baixo. Com mais produto chegando das lavouras, as cotações do arábica sofreram quedas significativas.

Entretanto, a mudança nas condições climáticas alterou esse cenário. As chuvas passaram a dificultar os trabalhos de colheita em algumas regiões produtoras, reduzindo pontualmente a oferta de café disponível no mercado e dando sustentação aos preços.

Além do atraso na retirada dos grãos das lavouras, o clima mais úmido nesta fase da safra acende um alerta importante para os produtores: a possibilidade de perda de qualidade. Quando a colheita é interrompida por chuvas frequentes, os frutos permanecem mais tempo nas plantas ou ficam expostos à umidade, aumentando o risco de fermentações indesejadas, defeitos e comprometimento da bebida.

Outro ponto observado pelo Cepea é que, embora as estimativas oficiais indiquem uma safra recorde de café em 2026/27, agentes do setor vêm relatando qualidade inferior dos grãos em comparação à temporada passada. Há também preocupações em relação à peneira do café — classificação que mede o tamanho dos grãos e que influencia diretamente a valorização do produto no mercado.

No caso do café robusta (conilon), o comportamento dos preços tem sido diferente. Segundo o Cepea, as cotações da variedade seguem mais firmes do que as do arábica. O principal motivo é a expectativa de uma produção menor em relação à safra anterior, cenário que reduz a disponibilidade do produto e mantém o mercado sustentado.

Para o produtor, o momento exige atenção redobrada ao manejo da colheita e ao monitoramento das condições climáticas. Mesmo diante de uma safra volumosa, a qualidade do grão pode ser um fator decisivo para a rentabilidade da atividade.

Se uma área de café estiver pronta para a colheita e houver previsão de chuvas persistentes, atrasos na operação podem aumentar a incidência de grãos defeituosos e reduzir o percentual de cafés de maior valor comercial, impactando diretamente a remuneração obtida pelo produtor.

🔧 Orientação: neste período, acompanhe diariamente a previsão do tempo e priorize a colheita das áreas mais maduras e suscetíveis à perda de qualidade. Após a colheita, redobre os cuidados com a secagem e o armazenamento. Em anos de clima instável, preservar a qualidade do café pode ser tão importante quanto alcançar alta produtividade.

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