Agricultura

A Importância da Água para as Plantas

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
A Importância da Água para as Plantas
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Nas formas líquida e sólida, cobre mais de dois terços de nosso planeta, e, na forma gasosa, é constituinte da atmosfera, estando presente em toda parte (REICHARDT, 1996). Acredita-se que a vida tenha se originado em um ambiente aquático (SUTCLIFFE, 1979), e que os organismos vivos tornaram-se completamente dependentes da água no decurso de sua evolução (REICHARDT, 1996), não sendo possível viver sem ela.

A importância da água para os organismos vivos, tanto pelo aspecto ecológico quanto pelo fisiológico, resulta de suas propriedades físicas e químicas, que lhe são peculiares. Daí, ser a água imprescindível à existência de vida na Terra.

A distribuição da vegetação na superfície da Terra é controlada muito mais pela disponibilidade de água do que por outro fator (KRAMER, 1969). Ademais, de todas as substâncias absorvidas pelas plantas, a água é, obviamente, a que é necessária em maior quantidade. As moléculas de água são mais do que simples engrenagens na maquinaria metabólica das plantas: elas integram os seres vivos e, em nível ecológico, representam uma força importantíssima em configurar padrões climáticos. Logo, a água é essencial para a vida das plantas, tanto no sentido bioquímico quanto no biofísico, e suas influências são internas e ambientais (BENINCASA, 1984).

Por ser o principal constituinte protoplasmático das células vegetais, podendo atingir 95 % ou mais do peso total (SUTCLIFFE, 1979; MOHR; SCHOPFER, 1995; REICHARDT, 1996), a água é um fator vital na produção das plantas, participando de todos os fenômenos físicos, químicos e biológicos essenciais ao seu desenvolvimento. A água atua, também, como veículo de transporte de nutrientes minerais, que são absorvidos e conduzidos para a parte aérea das plantas, assim como de produtos orgânicos da fotossíntese, por intermédio da contínua demanda evapotranspirativa, com destino à atmosfera (REICHARDT, 1996; TAIZ; ZEIGER, 2002).

A maior parte da água absorvida por uma planta é perdida, na forma de vapor, pela superfície das folhas, processo esse conhecido como transpiração. Plantas de milho, por exemplo, transpiram mais de 98 % do total da água que absorvem; a maior parte da água que resta (cerca de 2 %) fica retida nos tecidos vegetais, e somente uma porção muito pequena da água (= 0,2 %) é utilizada na fotossíntese (MILLER, 1938, citado por SUTCLIFFE, 1979). Esse fluxo de água é, no entanto, necessário ao desenvolvimento vegetal (REICHARDT, 1996; TAIZ; ZEIGER, 2002).

A água, sendo o composto mais abundante na face da Terra e constituinte de toda a matéria viva, possui algumas características próprias que favorecem a manifestação de fenômenos físicos, químicos e biológicos, vitais ao desenvolvimento das plantas, que podem ser assim resumidos (SUTCLIFFE, 1979):

  • É o principal constituinte do protoplasma, compreendendo, frequentemente, mais de 90 % de sua massa total;
  • É o meio natural de ocorrência de numerosas reações químicas (hidrólise, oxidação, hidratação) e bioquímicas (digestão de amido, bioconversão proteica);
  • É uma fonte de prótons (íons H+) para a redução do CO2 na fotossíntese e de íon hidroxila (OH-) que fornecem elétrons para as reações de luz;
  • É uma substância química muito ativa, sendo o solvente universal e natural de substâncias como sais, açúcares, íons, entre outras;
  • É também o solvente no qual os materiais são transportados no xilema e no floema, e, provavelmente, também através do citoplasma de células;
  • Pelo seu elevado calor específico (1 cal g’1 °C'1), atua como regulador de temperatura.
  • A adsorção das moléculas de água à superfície das partículas forma uma película de hidratação que influencia as reações físicas e químicas;
  • Mantém a rigidez dos tecidos vegetais pela pressão de turgescência no interior das células (turgor celular), responsável pelo crescimento vegetal;
  • Em plantas submersas, ou parcialmente submersas, a água externa proporciona sustentação, pela flutuabilidade de caules e folhas;
  • Meio através do qual os gametas locomovem-se para realizar a fecundação;
  • Sua tensão superficial é a mais elevada que se conhece e molha com facilidade a maioria das substâncias sólidas naturais.

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Fonte

DE ALBURQUERQUE, Paulo Emílio Pereira; DURÃES, Frederico Ozanan Machado. Uso e Manejo de Irrigação. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2008.

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