Pecuária

Árvore nativa melhora solo e retém carbono no pasto

Leguminosa nativa da América Tropical, a árvore ocorre em quase todas as regiões do Brasil e tem ampla adaptabilidade.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você trabalha com pecuária e pensa em integrar árvores à pastagem, uma pesquisa da Embrapa e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) traz uma descoberta importante. A árvore bordão-de-velho (Samanea tubulosa) apresenta várias vantagens em sistemas silvipastoris (SSP), que integram a produção pecuária com a florestal. Um dos ganhos é o aumento da qualidade biológica do solo, que estoca mais carbono, mantém comunidades de microrganismos mais estáveis e com maior número de espécies.

Leguminosa nativa da América Tropical, a árvore ocorre em quase todas as regiões do Brasil e tem ampla adaptabilidade. Ela já era considerada uma das melhores espécies para integração com pastagens, pois proporciona sombra ao gado, fixa nitrogênio no solo e produz frutos apreciados pelos animais. A madeira não é tão vantajosa quanto a do eucalipto, mas os benefícios da leguminosa a tornam interessante para pecuaristas.

Realizado no campo experimental da Embrapa Rondônia (RO), o trabalho começou em 2018 e analisou amostras de solo coletadas em 2022 e 2024. Uma área de 14 hectares com capim-marandu foi dividida em duas parcelas: uma recebeu 156 mudas de bordão-de-velho e a outra, 172 mudas de eucalipto.

Um dos resultados que mais chamou a atenção foi a elevada fertilidade do solo na área com bordão-de-velho. Nessa parcela foi encontrada quantidade mais expressiva de matéria orgânica e menor acidez. A análise da microbiota revelou maior diversidade de bactérias e arqueias do que no solo com eucalipto.

Além disso, o bordão-de-velho tem um alcance mais abrangente de modulação da microbiota, ou seja, influencia a presença desses microrganismos a até cinco metros de distância da árvore e em profundidades maiores. Esse alcance não ocorreu com os eucaliptos.

Entre os arranjos analisados, o sistema silvipastoril com bordão-de-velho obteve o maior Índice de Manejo de Carbono (CMI): 91,13. Isso significa que o solo preservou 91,13% de carbono em relação ao solo da floresta nativa, que tem valor de referência 100. Os sistemas com eucalipto e bordão-de-velho também apresentaram estoques de carbono estatisticamente semelhantes e próximos aos da floresta nativa: 107 t/ha no sistema com eucalipto, 95 t/ha com bordão-de-velho e 78 t/ha na floresta nativa.

Segundo o pesquisador Henrique Nery Cipriani, os sistemas preservaram os estoques de carbono no solo ou recuperaram parte do carbono perdido após a conversão do uso da área, ocorrida décadas atrás.

Se você é pecuarista, o bordão-de-velho pode ser uma alternativa interessante para sistemas silvipastoris. Além de fornecer sombra e alimento para o gado, a árvore melhora a fertilidade do solo, aumenta a diversidade de microrganismos e ajuda a estocar carbono. Isso pode contribuir para a sustentabilidade da produção e para a rentabilidade da propriedade.

🔧 Orientação

Considere a possibilidade de incluir o bordão-de-velho em áreas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou em sistemas silvipastoris. A espécie é nativa e adaptada a diferentes regiões do Brasil. Converse com seu engenheiro agrônomo ou zootecnista sobre o manejo adequado e o espaçamento das árvores.

Acompanhe as pesquisas da Embrapa sobre sistemas silvipastoris e fique atento a novas recomendações técnicas. E lembre-se: a biodiversidade nativa pode ser uma aliada importante para a saúde do solo e a sustentabilidade da sua produção.

Resumo:

- Bordão-de-velho (Samanea tubulosa) melhora a qualidade biológica do solo em sistemas silvipastoris.

- A árvore aumenta a fertilidade, reduz a acidez e diversifica microrganismos benéficos.

- O sistema com bordão-de-velho preservou 91,13% do carbono em relação à floresta nativa.

- A espécie é nativa, adaptável a várias regiões e fornece sombra e alimento ao gado.

- Produtor pode considerar a árvore em projetos de ILPF e sistemas silvipastoris.

Fonte: Embrapa.

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