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Triticale ganha espaço na indústria de biscoitos

Os testes foram feitos pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira da Embrapa Trigo (RS).

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você cultiva triticale ou pensa em diversificar a produção de inverno, uma notícia pode mudar seus planos. Análises de qualidade industrial realizadas em 2026 mostram que o cereal tem potencial para substituir a farinha de trigo na fabricação de alimentos humanos, principalmente biscoitos.

Os testes foram feitos pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira da Embrapa Trigo (RS). Ao todo, foram avaliados 11 produtos. Em seis deles, a farinha de triticale foi aprovada. E em dois, a substituição foi total: 100% da farinha de trigo foi trocada pela de triticale sem perda de qualidade.

O que os testes mostraram

Segundo Sérgio Gonçalves, diretor técnico da Vilma Alimentos, a substituição total pode ser feita em dois tipos de biscoitos. Já a parcial é indicada para wafers, bolos, pizzas e biscoitos de maisena.

A pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, explica que um dos principais mercados para o triticale no Cerrado deve ser justamente a indústria de biscoitos. Isso porque o cereal garante a crocância e a firmeza dos biscoitos, o que permite eliminar o uso de aditivos químicos para atingir esses atributos. Os grãos inteiros ou moídos também podem ser usados em cereais matinais e produtos dietéticos.

Os números exatos

- Biscoitos moldados: substituição de até 100% da farinha de trigo, mantendo boa expansão e atributos similares ao padrão.

- Panificação: a mistura indicada é de 50% de trigo e 50% de triticale, limitada à fabricação de pães de baixo crescimento.

- Biscoitos laminados doces (maisena): substituição de até 30% da farinha de trigo, mantendo textura, cor e sabor.

O triticale é um cereal de inverno criado pelo cruzamento do trigo com o centeio. Ele une a qualidade do trigo com a rusticidade do centeio. Chegou às lavouras brasileiras na década de 1980, trazido pela Embrapa Trigo, e desde então tem sido usado principalmente na Região Sul, como forragem ou ração animal.

A primeira cultivar brasileira foi a BRS Minotauro, lançada em 2005. Hoje, existem 24 cultivares cadastradas no Registro Nacional de Cultivares do Mapa.

Na Fazenda Lagoa, em Carandaí (MG), foram conduzidos experimentos em oito hectares de triticale em 2026, um para cada cultivar disponível no mercado. A semeadura foi feita em maio e a colheita em setembro, sob irrigação.

A média de produtividade no Cerrado varia de três a quatro toneladas por hectare em sistema irrigado. Mas as parcelas em Carandaí superaram as expectativas: o rendimento de grãos passou das seis toneladas por hectare, segundo o engenheiro agrônomo Luiz Tarcísio Behm.

O pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Trigo, lembra que o triticale também pode ter bom desempenho no sequeiro, pois tem boa tolerância à seca, raízes profundas e adaptação a solos ácidos e arenosos. Mas nem todas as cultivares testadas são indicadas para produção de grãos no Cerrado.

Se você é produtor de inverno, o triticale pode ser uma alternativa interessante. Ele tem mercado crescente na indústria de alimentos, boa tolerância à seca e produtividade promissora no Cerrado. Além disso, a possibilidade de substituir a farinha de trigo na fabricação de biscoitos abre uma porta para a cadeia produtiva.

Se você pensa em cultivar triticale, procure informações sobre as cultivares indicadas para sua região. Nem todas são recomendadas para produção de grãos no Cerrado. A Embrapa Trigo e o IDR Paraná são boas fontes de consulta. E fique atento: os resultados de 2026 mostram que o cereal veio para ficar.

Fonte: Embrapa.

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