Países bálticos querem barrar trânsito de grãos russos na UE
Na semana anterior, a Estônia já havia anunciado a proibição do trânsito de grãos russos e bielorrussos por seu território.
Lituânia, Letônia e Estônia propuseram nesta sexta-feira (9) que a União Europeia proíba o trânsito de grãos russos pelo território do bloco. A proposta foi apresentada em uma carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A iniciativa busca impedir que a Rússia utilize portos e rotas europeias para escoar sua produção agrícola. Segundo a Reuters, Moscou intensificou o transporte de grãos pelos países bálticos após ataques ucranianos contra portos russos no Mar Negro, redirecionando parte do fluxo comercial para essas rotas.
Na semana anterior, a Estônia já havia anunciado a proibição do trânsito de grãos russos e bielorrussos por seu território. Agora, os três países defendem que a restrição seja ampliada para toda a União Europeia.
Proposta pode incluir sanções a empresários russos
O primeiro-ministro da Lituânia, Mindaugas Sinkevicius, defendeu a proibição e sugeriu também a aplicação de sanções a empresários do setor agrícola russo que, segundo ele, apoiam a guerra na Ucrânia. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o país pretende propor a inclusão de nomes específicos na lista de pessoas sancionadas pela União Europeia.
A primeira-ministra da Estônia, Kristen Michal, também pretende levar o tema à reunião do Conselho Europeu prevista para a próxima semana. Em resposta à proibição estoniana, a embaixada russa no país declarou que as decisões do governo frequentemente geram questionamentos entre empresas e integrantes da sociedade. As representações russas na Lituânia e na Letônia não haviam respondido aos pedidos de comentário da Reuters até a publicação da reportagem.
Na carta, os países bálticos argumentaram que a União Europeia não deve servir como rota para a Rússia compensar os efeitos econômicos de sua própria agressão.
Possíveis reflexos no comércio de grãos
A proposta ainda depende de discussão e decisão no âmbito europeu. Caso avance, poderá alterar as rotas utilizadas para o transporte de grãos russos e afetar a logística comercial na região do Mar Báltico.
Para o mercado agrícola internacional, o desdobramento merece acompanhamento porque mudanças nas rotas de exportação podem elevar custos logísticos e redirecionar fluxos comerciais. No entanto, os efeitos sobre os preços globais dependerão do alcance das restrições, das alternativas de transporte disponíveis e da reação dos compradores.
Fonte: Reuters, 9 de outubro de 2026.