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Etanol pode ganhar novo mercado nos navios

As tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção do abastecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz reforçaram a necessidade de diversificar as fontes de energia utilizadas pelo setor marítimo.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O etanol produzido no Brasil pode estar prestes a conquistar uma nova fronteira: o transporte marítimo internacional. Grandes empresas, como a Maersk e a Vale, já estão testando o combustível em embarcações e enxergam no etanol uma alternativa para reduzir as emissões de carbono e diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.

A mudança ocorre em um momento de incerteza no mercado de energia. As tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção do abastecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz reforçaram a necessidade de diversificar as fontes de energia utilizadas pelo setor marítimo.

Nesse cenário, o etanol ganhou força por reunir três vantagens importantes: ampla disponibilidade, infraestrutura já consolidada e custo mais competitivo em relação a outros combustíveis de baixo carbono, especialmente o metanol verde.

A Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, concluiu neste ano duas viagens utilizando 100% de etanol em navios preparados para operar com metanol e óleo combustível. Antes disso, a companhia já havia realizado testes com misturas contendo 10% e 50% de etanol.

A mineradora Vale também entrou nesse movimento. A empresa assinou contrato para a construção de duas embarcações capazes de operar com etanol, metanol ou óleo combustível pesado.

Segundo fabricantes de motores marítimos, o etanol pode ser utilizado em navios compatíveis com metanol sem a necessidade de grandes adaptações técnicas. A expectativa do setor é que o número de embarcações aptas a operar com metanol passe de 107 navios em 2025 para cerca de 450 até 2030.

Para o agro, a notícia é particularmente relevante.

Os Estados Unidos e o Brasil, maiores produtores mundiais de etanol à base de milho, possuem grande disponibilidade de matéria-prima. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma safra recorde de milho para 2025/26, enquanto o Brasil também registra elevada produção do cereal e expansão da indústria de etanol de milho.

Estimativas da Associação de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos indicam que, se o etanol conquistar apenas 5% do mercado global de combustíveis marítimos, a demanda adicional poderá alcançar entre 4 e 5 bilhões de galões de etanol, além de exigir cerca de 1,5 bilhão de bushels de milho.

Do ponto de vista econômico, o etanol também apresenta vantagens. No início de junho, o combustível era negociado próximo de US$ 700 por tonelada nos Estados Unidos e pouco acima de US$ 800 por tonelada na Ásia. O óleo combustível marítimo de baixo teor de enxofre custava mais de US$ 750 por tonelada na Ásia, enquanto o metanol verde ultrapassava facilmente US$ 1.000 por tonelada.

Além disso, o etanol possui cerca de 35% mais energia por quilo do que o metanol, permitindo que os navios utilizem menor quantidade de combustível para percorrer a mesma distância.

Especialistas do setor esperam que as primeiras operações comerciais de abastecimento de etanol em larga escala surjam entre os próximos 12 e 24 meses. O Porto de Santos, em São Paulo, é apontado como um dos principais candidatos a liderar esse movimento ao lado de Cingapura, maior centro mundial de abastecimento de navios.

Para o produtor rural brasileiro, especialmente quem atua na cadeia do milho e dos biocombustíveis, a abertura de um novo mercado internacional representa a possibilidade de aumento estrutural da demanda por etanol nos próximos anos. Isso pode ampliar oportunidades para usinas, cooperativas e regiões produtoras que vêm investindo no etanol de milho.

🔧 Orientação: Se você produz milho ou participa da cadeia de biocombustíveis, vale acompanhar a evolução desse mercado. O uso do etanol no transporte marítimo ainda está em fase inicial, mas pode se tornar uma nova fonte de demanda global, fortalecendo a indústria brasileira de biocombustíveis e criando novas oportunidades de agregação de valor para a produção agrícola.

Fonte: Reuters; Maersk; Vale; DNV; Associação de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA); Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

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