Brasil estreia exportações de sorgo para a China
A instabilidade nas relações comerciais também dificulta o planejamento dos agricultores norte-americanos.
O Brasil está ampliando sua participação no mercado internacional de sorgo e começa a disputar espaço com os Estados Unidos, tradicionalmente um dos principais fornecedores mundiais do grão. Segundo reportagem da Bloomberg, o país já enviou sua primeira carga de sorgo para a China e vem aumentando a produção, em um movimento que pode alterar o comércio internacional da cultura.
A expansão brasileira ocorre em um momento de dificuldades para os produtores norte-americanos, que enfrentam incertezas comerciais, demanda externa instável e perdas provocadas pela seca. A produção dos Estados Unidos deve cair 33% nesta safra em relação ao ciclo anterior, segundo os dados citados na reportagem.
O sorgo é valorizado por sua resistência à seca e pode ser utilizado na alimentação animal e na produção de bebidas, como o baijiu, tradicional da China. O país asiático é um mercado estratégico para os exportadores, mas as compras de sorgo norte-americano perderam força nos últimos anos. As exportações dos EUA para a China, que chegaram a cerca de US$ 2 bilhões há mais de uma década, recuaram para aproximadamente US$ 86 milhões em 2025.
A instabilidade nas relações comerciais também dificulta o planejamento dos agricultores norte-americanos. No Nebraska, por exemplo, o sorgo vem perdendo espaço para culturas como milho e soja, que geralmente oferecem rendimentos maiores e contam com uma base de demanda mais ampla.
Brasil amplia produção e busca novos mercados
Enquanto parte dos produtores norte-americanos reduz o cultivo, os agricultores brasileiros seguem na direção contrária. O sorgo tem ganhado espaço no país, principalmente como segunda safra, após a colheita da soja.
De acordo com a reportagem, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estimava embarques brasileiros de até 2,4 milhões de toneladas de sorgo até o fim de outubro, com a China como principal destino. Em 2025, não houve embarques brasileiros significativos, o que evidencia a mudança recente no comércio da cultura.
O avanço também está relacionado à adaptação do sorgo às condições de solo e clima de diferentes regiões brasileiras. Segundo a Embrapa, a cultura apresenta potencial para integrar sistemas de produção em áreas sujeitas à irregularidade das chuvas, embora seu desempenho dependa do ambiente e do manejo adotado.
A expansão, porém, não significa que o Brasil já tenha ultrapassado os Estados Unidos na produção mundial. O país está ampliando sua capacidade produtiva e comercial, enquanto a consolidação dessa posição dependerá da continuidade da oferta, da competitividade e da abertura de mercados.
China busca diversificar fornecedores
A entrada do sorgo brasileiro no mercado chinês também atende ao interesse da China em diversificar suas fontes de abastecimento. Segundo a reportagem, representantes do setor avaliam que o país asiático não quer depender de um único fornecedor e vê o Brasil como uma alternativa para ampliar suas opções de compra.
Essa oportunidade pode beneficiar os produtores brasileiros, mas exige atenção às oscilações da demanda internacional. O mercado chinês já demonstrou que pode reduzir rapidamente as compras em função de disputas comerciais, mudanças tarifárias e alterações no abastecimento interno.
Para o Brasil, portanto, o desafio não é apenas produzir mais sorgo, mas garantir competitividade e construir relações comerciais duradouras. A ampliação das exportações pode abrir uma nova frente para o agronegócio, especialmente em regiões onde a cultura se encaixa na segunda safra e oferece uma alternativa para diversificar a produção.
Fonte: Bloomberg.