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Acordo no Oriente Médio derruba grãos e óleos

Com a perspectiva de reabertura da rota, os mercados reagiram rapidamente. N

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Os mercados agrícolas internacionais começaram a semana em queda após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta. A expectativa é que a normalização do tráfego marítimo reduza os riscos de desabastecimento de fertilizantes e combustíveis, aliviando as pressões sobre os custos de produção agrícola e a inflação global dos alimentos.

O Estreito de Ormuz é um corredor fundamental para o comércio mundial de energia e insumos agrícolas. Durante os meses de conflito no Oriente Médio, o aumento dos custos de fertilizantes, combustíveis e fretes elevou as preocupações com a segurança alimentar e pressionou as cotações de diversas commodities agrícolas.

Com a perspectiva de reabertura da rota, os mercados reagiram rapidamente. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de trigo, milho e óleo de soja recuaram mais de 1%. A soja também fechou em baixa, embora com perdas mais moderadas. Na Ásia, o óleo de palma caiu até 0,8% em Kuala Lumpur.

Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, a redução dos preços da energia também diminui a competitividade dos biocombustíveis. Isso afeta diretamente o mercado de óleos vegetais, especialmente o óleo de soja, utilizado na produção de biodiesel.

O movimento também impactou o mercado do açúcar. No Brasil, as usinas podem direcionar a cana-de-açúcar para a produção de etanol ou açúcar, dependendo da rentabilidade de cada produto. Quando o petróleo cai, o etanol tende a perder competitividade, aumentando o incentivo para a fabricação de açúcar e ampliando a oferta global do produto.

Outro ponto importante é o mercado de fertilizantes. O acordo entre Estados Unidos e Irã pode reduzir o risco de interrupções no fornecimento de nutrientes agrícolas, especialmente em um momento em que muitos países ainda monitoram a segurança das cadeias globais de abastecimento.

Apesar da reação positiva dos mercados, especialistas alertam que os efeitos sobre a inflação dos alimentos não serão imediatos. Segundo analistas internacionais, a normalização dos fluxos comerciais pode aliviar gradualmente as pressões de preços e reduzir a necessidade de juros elevados em diversos países.

No entanto, outros riscos continuam no radar do agronegócio. Economistas lembram que 2026 será influenciado pelo fenômeno El Niño, que pode provocar alterações importantes nos padrões climáticos, reduzindo as chuvas em algumas regiões produtoras e afetando a oferta agrícola global.

Para o produtor brasileiro, a possível redução nos preços dos fertilizantes e dos combustíveis pode representar alívio nos custos de produção das próximas safras. Por outro lado, a queda das commodities internacionais pode limitar movimentos de alta nos preços de soja, milho, óleos vegetais e açúcar.

Quem produz para exportação precisará acompanhar simultaneamente o cenário geopolítico e as condições climáticas globais, que continuam sendo fatores decisivos para a formação dos preços.

🔧 Orientação

Se você está planejando a próxima safra, acompanhe de perto a evolução dos preços dos fertilizantes, combustíveis e das commodities agrícolas. Um cenário de menor tensão no Oriente Médio pode reduzir custos de produção, mas o risco climático associado ao El Niño ainda exige cautela no planejamento comercial e financeiro.

Fontes: Bloomberg.

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