Agricultura

VOCs de microrganismos: a comunicação planta-planta que também atrai inimigos naturais de patógenos

Os voláteis orgânicos produzidos por microrganismos do solo (mVOCs) permitem que as plantas se comuniquem, ativem defesas sistêmicas e recrutem predadores e parasitoides de pragas.

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
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A agricultura industrial depende de inseticidas e fungicidas sintéticos que matam indiscriminadamente, destruindo as redes biológicas que mantêm o equilíbrio natural. Os voláteis orgânicos produzidos por microrganismos do solo (mVOCs) permitem que as plantas se comuniquem, ativem defesas sistêmicas e recrutem predadores e parasitoides de pragas — tudo sem pulverizar veneno.

Microrganismos como Bacillus, Pseudomonas e fungos benéficos (Trichoderma) emitem mVOCs que atuam como sinais de longa distância. Esses compostos induzem resistência sistêmica induzida (ISR) nas plantas, ativam vias de jasmonato e etileno, e preparam defesas contra patógenos e herbívoros.

Uma revisão publicada em 2025 no Journal of Sustainable Agriculture and Environment detalha como mVOCs facilitam a comunicação planta-planta e atraem inimigos naturais de pragas, atuando como sinais que mitigam estresses bióticos e promovem proteção indireta às plantas vizinhas.

Estudos mostram que mVOCs de bactérias e fungos do solo estimulam a emissão de voláteis pelas plantas que atraem parasitoides e predadores. Em interações multitróficas, esses sinais aumentam a eficiência do controle biológico ao recrutar inimigos naturais de herbívoros.

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A Embrapa tem trabalhos demonstrando interações entre voláteis, plantas hospedeiras e inimigos naturais em cultivos como soja, onde compostos voláteis mediam a atração de parasitoides como Telenomus podisi contra percevejos.

O mecanismo é preciso: quando uma planta sofre ataque, microrganismos associados respondem produzindo mVOCs que alertam plantas vizinhas (comunicação planta-planta) e modificam o perfil volátil da planta para atrair predadores específicos. Isso cria um sistema de defesa em rede, sem depender de insumos químicos.

Para o produtor que busca independência, estimular a microbiota do solo com cobertura vegetal, biochar, micorrizas e ausência de agrotóxicos amplifica essa comunicação natural. O resultado é menor pressão de pragas, solo mais vivo e produção que não depende de empresas de defensivos.

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