Recomendação de Adubação da Cana-de-açúcar
A recomendação de adubação pretende fornecer nutrientes para o desenvolvimento da cultura e manter a fertilidade do solo em níveis médios durante todo o ciclo da cultura, visando atenuar a queda de produtividade com o envelhecimento das soqueiras e também, promover o aumento do número de cortes do canavial, evitando que o solo chegue exaurido na época da reforma (Tabela 4).

Reformar canaviais em solos muito empobrecidos implica em maiores investimentos em insumos e concentração de fertilizantes no sulco de plantio ou próximo deste, restringindo o aproveitamento dos nutrientes.
A cana-de-açúcar extrai e exporta grandes quantidades de nutrientes. Para uma produção de colmos de 100 t ha-1 a planta acumula na parte aérea aproximadamente 150, 46 e 180 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente, exportando com os colmos, 90, 35 e 130 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente. Os cálculos das adubações consideram a necessidade de pelo menos repor os nutrientes removidos pela colheita em solos com teores baixos dos mesmos.
Dependendo da meta de produtividade da cultura recomenda-se aplicar de 30 a 60 kg de N além da dosagem indicada na tabela, preferencialmente em cobertura.
As fontes de N apresentam boa eficiência e se equivalem, ficando sua escolha mais em função do custo. As principais fontes são: ureia, sulfato de amônio, nitrato de amônio, MAP, DAP, resíduos vegetais e animais. A ureia deve ser incorporada por se tratar de uma fonte que pode se volatilizar, resultando em perdas do nutriente.
Fósforo: A pesquisa científica também determinou que toda a dosagem de fósforo necessária para 5 anos da cultura deve ser aplicada no plantio. Hoje, se verifica que alguns solos muito pobres em fósforo podem responder a doses adicionais nas soqueiras, ou mesmo à uma fosfatagem. As fontes mais utilizadas são: superfosfato simples, superfosfato triplo, MAP, DAP, termofosfatos, multifosfato magnesiano, fosfatos naturais, resíduos. A torta de filtro é um importante resíduo da indústria sucroalcooleira utilizada como fertilizante fosfatado. Praticamente 50% do P da torta pode ser considerado como prontamente disponível.
Fosfatagem: A fosfatagem consiste na aplicação de adubos fosfatados incorporados ao solo em área total para elevar a disponibilidade desse nutriente em solos pobres. Essa aplicação de P é em adição às doses recomendadas para a cultura. Vide detalhes na recomendação da adubação mineral de plantio.
Potássio: A cana é uma cultura considerada como acumuladora de K. Ela exporta grandes quantidades e, portanto, a resposta à adubação é sempre alta, tanto na cana-planta como na cana-soca. A vinhaça é outro importante resíduo da indústria sucroalcooleira muito utilizado como fertilizante. Neste caso, calcula-se a dosagem de vinhaça com base em seu teor de K, de tal forma que a necessidade da cultura pode ser suprida apenas pela vinhaça.
O uso da vinhaça deve levar em conta a legislação ambiental. A vinhaça concentrada é considerada um fertilizante organomineral e, portanto, não segue a legislação de resíduos. Outros fertilizantes são: o cloreto de potássio ou o sulfato de potássio. O parcelamento da adubação, principalmente do potássio, é prática recomendada tanto no plantio como nas soqueiras, quando as doses recomendadas são elevadas e em solos de baixa CTC (poucos tamponados), associado ao período chuvoso.
A presença da palhada permite que se possa descontar da dose recomendada, 4 kg K2O para cada tonelada de palha em base seca. Entretanto recomenda-se acompanhar com análise de solo e verificar se o nível de K do solo não sofreu queda significativa.
Micronutrientes: Solos de muito baixa fertilidade podem apresentar deficiência de micronutrientes, principalmente de Cu ou Zn. O Boletim 100 do IAC (5) recomenda as doses apontadas na tabela 5, segundo os teores apontados na análise do solo.

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Fonte
XAVIER, Mauro Alexandre; LANDELL, Marcos Guimarães de Andrade; PIRES, Regina Célia de Matos; et al. Gemas brotadas de cana-de-açúcar: produção sustentável e utilização experimental na formação de áreas de multiplicação. Campinas – SP: Instituto Agronômico, 2020.