Agricultura

O agro por trás da grama da Copa

Por trás dos campos que receberão as partidas nos Estados Unidos, Canadá e México existe um dos maiores projetos científicos já realizados para gramados esportivos.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
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Quando a Copa do Mundo de 2026 começar, milhões de torcedores estarão atentos aos craques dentro de campo. Mas um dos protagonistas do torneio estará sob os pés dos jogadores: o gramado.

Por trás dos campos que receberão as partidas nos Estados Unidos, Canadá e México existe um dos maiores projetos científicos já realizados para gramados esportivos. Durante cinco anos, pesquisadores, produtores de grama, universidades e a FIFA trabalharam para garantir que os 16 estádios do torneio ofereçam condições semelhantes de jogo, mesmo estando localizados em regiões com climas e estruturas completamente diferentes.

O projeto recebeu mais de US$ 5 milhões em investimentos da FIFA, cerca de R$ 27 milhões na cotação atual. Parte da produção da grama está sendo cultivada no norte do México, onde pesquisadores acompanham cada etapa do desenvolvimento do material que será utilizado nos estádios.

O desafio é maior do que parece, porque dos 16 estádios da competição, 11 pertencem ou são utilizados por equipes da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos. Muitos desses locais utilizam gramados sintéticos, possuem cobertura ou recebem shows e eventos ao longo de todo o ano.

Para garantir qualidade e segurança, os pesquisadores transformaram os próprios estádios em laboratórios. Foram avaliados fatores como comportamento da bola, absorção de impacto, tração dos atletas, compactação do solo, drenagem, umidade e capacidade de recuperação após uso intenso.

Uma das principais inovações desenvolvidas durante os estudos foi a utilização de estruturas plásticas conhecidas como Permavoid. Elas funcionam como uma camada intermediária entre o concreto dos estádios e o gramado natural.

Os resultados chamaram a atenção. Além de manter desempenho semelhante aos sistemas tradicionais, a nova estrutura é até 80% mais leve. Outro diferencial é a velocidade de instalação. Um campo completo pode ser montado em aproximadamente 17 horas e removido em apenas sete horas, permitindo que arenas multiuso alternem rapidamente entre eventos esportivos e shows.

Os impactos do projeto vão além do futebol. O avanço da tecnologia tem impulsionado o setor de produção de grama especializada, conhecido como gramicultura. Nos Estados Unidos, o número de produtores especializados em sistemas de grama cultivada sobre plástico triplicou desde 2021.

A tecnologia também desperta interesse em outros países, incluindo o Brasil, que será sede da próxima Copa do Mundo Feminina. Além dos estádios, o sistema pode ser utilizado em campos de golfe, centros esportivos e outras áreas que exigem gramados de alto desempenho.

Para os produtores, uma das vantagens é que o cultivo sobre plástico reduz a necessidade de remover camadas de solo fértil durante a colheita da grama. Isso amplia as possibilidades de produção em áreas que normalmente não seriam utilizadas pela agricultura convencional.

Segundo os pesquisadores envolvidos, o maior legado do projeto não será apenas a qualidade dos gramados da Copa de 2026, mas o avanço do conhecimento científico e das tecnologias que poderão beneficiar diferentes setores da agricultura e do esporte nos próximos anos.

🔧 Orientação: Embora a tecnologia tenha sido desenvolvida para grandes arenas esportivas, muitos dos conceitos utilizados — como drenagem eficiente, manejo da irrigação e escolha adequada das variedades de grama — também podem ser aplicados em propriedades rurais, campos esportivos municipais e áreas de paisagismo para reduzir custos de manutenção e melhorar a qualidade do gramado.

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