Agricultura

Mapa global mostra onde a agricultura inteligente é lucrativa

Também foram usados dados de sensoriamento remoto e estatísticas globais.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Um estudo publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) apresentou o primeiro mapeamento global da rentabilidade de inovações de agricultura inteligente (smart farming). A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Bonn (Alemanha), Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e ETH Zurique (Suíça), avaliou a viabilidade econômica de cinco tecnologias em áreas agrícolas de todo o mundo, com resolução espacial de aproximadamente 5 km.

O estudo analisou cinco categorias de inovações:

1. Mapeamento de aplicação para agricultura de precisão (drones e satélites para aplicar insumos de forma localizada).

2. Aplicação automatizada de insumos (máquinas que aplicam defensivos e fertilizantes de forma autônoma).

3. Máquinas autônomas de capina (equipamentos com inteligência artificial para remover plantas daninhas).

4. Sistemas de direção assistida por GPS (piloto automático em máquinas agrícolas).

5. Sistemas de irrigação autônomos (irrigação ajustada conforme a necessidade real do solo e da planta).

Os pesquisadores realizaram uma ampla pesquisa global entre novembro de 2023 e agosto de 2024, ouvindo mais de 8.000 especialistas, incluindo agricultores, empresas de tecnologia e acadêmicos. Eles coletaram 2.677 pontos geográficos onde as tecnologias já são lucrativas. Esses dados foram combinados com uma meta-análise de 1.745 estudos anteriores, totalizando 4.422 observações.

Com essa base, a equipe treinou um conjunto de cinco algoritmos de aprendizado de máquina (machine learning) para prever onde cada inovação tem potencial de ser lucrativa. Também foram usados dados de sensoriamento remoto e estatísticas globais.

Os mapas gerados mostram que a agricultura inteligente tem maior potencial econômico na Europa Ocidental, América do Norte e em países de alta renda como Austrália, Israel, Coreia do Sul e Japão. Os EUA e a Europa se destacam como os principais polos globais.

Segundo os autores, isso se explica pela combinação de altos custos de mão de obra, prioridade política e social para produção sustentável de alto valor, renda per capita elevada, educação e investimentos em infraestrutura.

O estudo também cruzou o potencial econômico das tecnologias com mapas de problemas ambientais que elas podem ajudar a mitigar. As áreas com alta taxa de perda de biodiversidade e alto potencial de agricultura inteligente estão concentradas na América do Norte, Austrália e, em menor grau, América do Sul, Europa Ocidental, África do Sul e China.

A combinação de potencial para irrigação inteligente e estresse hídrico é encontrada nas Américas, Europa e grande parte da Ásia. Já o potencial para aplicação automatizada de insumos e alta poluição por fertilizantes nitrogenados aparece especialmente na China, Europa Ocidental, América do Norte e, em grau médio, na Índia e Austrália.

Os pesquisadores simularam cenários para 2035 e 2045 com base no Shared Socioeconomic Pathway 2 (SSP2), que assume tendências sociais, econômicas e tecnológicas semelhantes às históricas.

No cenário base, o potencial econômico da agricultura inteligente deve crescer de 501,5 milhões de hectares (42% das terras cultivadas) em 2025 para 543,5 milhões (46%) em 2035 e 588,5 milhões (50%) em 2045. Os maiores ganhos devem ocorrer na América do Sul (especialmente Brasil e Argentina), Europa Oriental e China.

Em um cenário de alta rigidez ambiental (políticas mais exigentes), o potencial pode chegar a 839,2 milhões de hectares (71%) em 2035 e 886,3 milhões (75%) em 2045.

O Brasil aparece como uma das regiões com maior potencial de expansão da agricultura inteligente nas próximas décadas. Isso significa que tecnologias como agricultura de precisão, aplicação automatizada de insumos, máquinas autônomas de capina, direção assistida por GPS e irrigação inteligente devem ganhar cada vez mais espaço por aqui.

Para o produtor, a mensagem é clara: essas tecnologias podem aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar a sustentabilidade da produção. Mas a adoção depende de viabilidade econômica, acesso a crédito e capacitação.

🔧 Orientação:

Se você quer se preparar para o futuro da agricultura, comece avaliando quais dessas tecnologias fazem sentido para a sua propriedade. A agricultura de precisão e a direção assistida por GPS já são realidade em muitas lavouras brasileiras e podem ser um bom ponto de partida.

Busque informações sobre custos, benefícios e linhas de financiamento disponíveis. Converse com seu engenheiro agrônomo e com outros produtores que já adotaram essas ferramentas. E fique atento às políticas públicas de incentivo à inovação no campo.

Resumo:

- Estudo global mapeia onde as inovações de agricultura inteligente são lucrativas.

- Europa Ocidental e América do Norte lideram; Brasil tem alto potencial de expansão.

- Tecnologias avaliadas incluem agricultura de precisão, máquinas autônomas e irrigação inteligente.

- Potencial global pode crescer de 42% para 50% das terras cultivadas até 2045.

- Produtor deve avaliar custos e benefícios antes de adotar novas tecnologias.

Fonte: PNAS.

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.