Fertilizante caro ameaça avanço do agro brasileiro
Outro fator que pesa é o calendário agrícola.
A escalada dos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio e pelas restrições no Estreito de Ormuz, começa a preocupar produtores brasileiros e pode frear o ritmo de expansão da agricultura nacional. O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, está entre os países mais expostos ao aumento dos custos dos insumos.
Nos últimos anos, a combinação de terras disponíveis, expansão da área cultivada e forte demanda chinesa transformou o Brasil em uma potência agrícola global. No entanto, o cenário mudou. Com fertilizantes mais caros e margens cada vez mais apertadas, muitos produtores estão adiando investimentos, reduzindo compras de insumos e reavaliando projetos de crescimento.
A situação é especialmente delicada porque boa parte dos solos agrícolas brasileiros depende de reposições frequentes de nutrientes para manter altos níveis de produtividade. Diferentemente de muitas áreas agrícolas dos Estados Unidos, onde a fertilidade natural permite reduzir aplicações em determinados anos, grande parte das lavouras brasileiras apresenta menor capacidade de suportar cortes prolongados na adubação.
Outro fator que pesa é o calendário agrícola. Enquanto muitos produtores norte-americanos já haviam garantido suas compras antes do agravamento do conflito, agricultores brasileiros ainda precisam adquirir fertilizantes para o plantio da safra de verão, que começa a partir de setembro.
Segundo analistas do setor, a combinação entre custos elevados de fertilizantes, combustível e sementes ocorre em um momento em que os preços da soja e do milho não avançaram na mesma intensidade. Isso reduz a rentabilidade das propriedades e aumenta a pressão sobre produtores que já enfrentam níveis elevados de endividamento.
O reflexo já aparece no campo. Em Goiás, por exemplo, produtores relatam a suspensão de planos de expansão e até o adiamento da renovação de máquinas agrícolas. A prioridade passou a ser preservar o caixa e garantir recursos para custear a próxima safra.
Apesar dos desafios, especialistas destacam que a recuperação da produção nacional de fertilizantes pode ajudar a reduzir parte dessa dependência nos próximos anos. A retomada de fábricas de nitrogenados pela Petrobras tem potencial para ampliar a oferta interna, embora os efeitos não sejam imediatos.
Para o produtor rural, o momento reforça a importância do planejamento antecipado da safra, da análise criteriosa da fertilidade do solo e da busca por alternativas que aumentem a eficiência do uso dos nutrientes.
🔧 Orientação: Em períodos de fertilizantes caros, investir em análise de solo, manejo da matéria orgânica, uso de plantas de cobertura e correção adequada da fertilidade pode aumentar o aproveitamento dos nutrientes e reduzir perdas, ajudando a proteger a rentabilidade da propriedade.