Agricultura

Dólar baixo derruba preço do milho

As cotações domésticas do cereal continuam caindo, e o movimento não é por acaso.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você está com milho na saca esperando uma valorização, o momento pede atenção redobrada. As cotações domésticas do cereal continuam caindo, e o movimento não é por acaso.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou nesta terça-feira (13/10) que o mercado de milho está pressionado por uma combinação de fatores que você precisa conhecer para não tomar decisões precipitadas.

O primeiro deles é a forte desvalorização do dólar frente ao Real. Quando o dólar cai, o milho brasileiro fica mais barato para o comprador estrangeiro? Não. Na verdade, a lógica é outra: a queda do dólar reduz a paridade de exportação, ou seja, o preço que o produtor receberia ao vender para fora diminui. Isso acaba puxando os preços internos para baixo.

Além disso, a produção recorde prevista para a safra 2025/26 no Brasil aumenta a oferta disponível. E as exportações estão em ritmo abaixo do observado na temporada passada, o que significa que menos milho está saindo do país.

Com esse cenário, os compradores estão retraídos. Eles preferem esperar. A expectativa é de que os preços caiam ainda mais no curto prazo.

O que isso significa no seu dia a dia

Imagine que você colheu 1.000 sacas de milho e está com elas armazenadas, esperando um preço melhor para vender. Com o dólar em baixa e a pressão de uma safra recorde, o comprador que antes pagava R$ 65 pela saca agora oferece R$ 58, por exemplo. Se você precisa de dinheiro para pagar contas ou comprar insumos, essa diferença pesa no bolso.

Por outro lado, o Cepea observa que parte dos compradores já está se movimentando para garantir estoques para os próximos meses. Eles sabem que os preços podem cair ainda mais, então estão comprando aos poucos, mas com entrega programada.

Do lado de quem vende, os produtores estão mais flexíveis. Mesmo com a correria do plantio da safra de verão (soja e milho), muitos estão aceitando negociar valores, prazos de pagamento ou de entrega. Essa flexibilidade, segundo o Cepea, é um reflexo da necessidade de liquidar parte da produção.

Por que isso importa para você

O mercado de milho é sensível a vários fatores ao mesmo tempo. Não basta olhar só para o preço na sua região. É preciso entender o que está acontecendo lá fora, como o dólar e a safra americana, e aqui dentro, como o ritmo de exportação e a produção nacional.

Se você é produtor de milho, fique atento: a tendência de baixa pode continuar nos próximos dias. Mas isso não significa que você deva vender tudo agora no pior preço.

🔧 O que fazer agora

Antes de fechar negócio, faça uma conta simples: qual é o seu custo de produção por saca? Se o preço oferecido estiver abaixo disso, talvez não valha a pena vender agora. Avalie se você tem armazenagem suficiente para esperar um momento melhor.

Outra dica é ficar de olho no dólar e nos relatórios do Cepea. Eles são divulgados quase todos os dias e mostram a tendência real do mercado.

Se você precisa de fluxo de caixa, negocie por partes. Venda uma parte agora para cobrir despesas imediatas e segure o restante se tiver condições de armazenar.

E lembre-se: o produtor que se antecipa e acompanha o mercado não fica refém do preço. Ele negocia com informação.

Resumo prático:

- Dólar baixo reduz paridade de exportação e pressiona preços internos.

- Safra 2025/26 recorde e exportações lentas aumentam oferta.

- Compradores retraídos esperam quedas maiores.

- Produtores estão mais flexíveis nas negociações.

- Antes de vender, calcule seu custo e avalie a necessidade de caixa.

Fonte: Cepea.

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