Agricultura

Chuvas fortalecem safra de cacau africana

Outro ponto de atenção é o risco de alagamentos em áreas mais suscetíveis.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
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As chuvas voltaram a trazer otimismo para os produtores de cacau da Costa do Marfim, maior produtora mundial da commodity. Os volumes registrados nas últimas semanas ficaram acima da média histórica em diversas regiões do país, favorecendo o desenvolvimento das lavouras e aumentando as expectativas para a reta final da safra intermediária 2025/26.

O país atravessa atualmente seu período chuvoso, que normalmente ocorre entre abril e novembro. Apesar de momentos de irregularidade climática ao longo da temporada, os índices pluviométricos mais recentes ajudaram a recuperar a umidade do solo e melhorar as condições das plantações.

Segundo agricultores locais, as chuvas têm sido suficientes para estimular o crescimento das árvores e favorecer a formação e o enchimento dos frutos. Em Soubre, uma das principais regiões produtoras, foram registrados 67,4 milímetros de chuva na última semana, volume 12,5 milímetros superior à média dos últimos cinco anos.

Em Divo, outra importante área produtora, o cenário também foi positivo. Já nas regiões de Agboville e Abengourou, os acumulados chegaram a 84,4 milímetros e 74,6 milímetros, respectivamente, superando com folga os volumes históricos para o período.

Além da recuperação das lavouras, produtores relatam que há uma quantidade significativa de frutos prontos para colheita neste mês. No entanto, o excesso de precipitações também gera preocupação.

Isso porque a secagem das amêndoas é uma etapa fundamental para garantir a qualidade final do produto. Caso as chuvas permaneçam intensas e frequentes ao longo de junho, alguns agricultores poderão enfrentar dificuldades na pós-colheita, comprometendo parte da qualidade comercial do cacau.

Outro ponto de atenção é o risco de alagamentos em áreas mais suscetíveis. Embora a umidade seja essencial para a cultura, volumes excessivos por períodos prolongados podem causar problemas operacionais e fitossanitários.

Na região de Bongouanou, no sul do país, os produtores demonstram confiança em uma boa colheita a partir de agosto. A localidade registrou 73,2 milímetros de chuva na última semana, volume 41,5 milímetros acima da média observada nos últimos cinco anos.

As temperaturas também colaboram para o bom desenvolvimento das lavouras. Os termômetros variaram entre 27,6°C e 31,1°C, faixa considerada adequada para a cultura do cacau.

O desempenho da safra marfinense é acompanhado de perto pelo mercado internacional. Após dois anos marcados por problemas climáticos, doenças e forte redução da produção em importantes países africanos, qualquer sinal de recuperação da oferta ganha relevância para os preços globais.

Se as chuvas continuarem ocorrendo de forma equilibrada nas próximas semanas, sem provocar danos significativos ou dificuldades severas na colheita e secagem das amêndoas, a Costa do Marfim poderá encerrar a safra intermediária com resultados superiores aos observados nos últimos ciclos.

🔧 Orientação prática: Para produtores e compradores que acompanham o mercado de cacau, o comportamento climático na África Ocidental continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre a oferta global e a formação dos preços nos próximos meses

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