Agricultura

Bactérias promotoras de crescimento (PGPR): pode substituir o adubo?

Pesquisas científicas comprovam que microrganismos benéficos fortalecem o crescimento das plantas e reduzem a necessidade de insumos químicos.

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
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As bactérias promotoras de crescimento de plantas, conhecidas pela sigla PGPR (Plant Growth-Promoting Rhizobacteria), vêm se consolidando como uma importante ferramenta para produtores que buscam aumentar a eficiência da lavoura e reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos.

Esses microrganismos vivem na região das raízes e atuam diretamente no desenvolvimento das plantas. Entre seus principais benefícios estão a fixação biológica de nitrogênio, a solubilização de fósforo e potássio presentes no solo e a produção de substâncias que estimulam o crescimento radicular.

Espécies como Azospirillum brasilense, Bacillus subtilis e Pseudomonas fluorescens já são amplamente estudadas e utilizadas em diversas culturas agrícolas. Além de melhorar a absorção de nutrientes, essas bactérias ajudam as plantas a suportar melhor condições de estresse, como seca, salinidade e ataques de patógenos.

Outro diferencial das PGPR é a capacidade de ativar mecanismos naturais de defesa das plantas. Esse processo, conhecido como resistência sistêmica induzida, funciona como uma espécie de “treinamento imunológico”, preparando a cultura para reagir de forma mais rápida diante da presença de fungos, bactérias e insetos.

Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais apontam ganhos médios de produtividade entre 10% e 30% em culturas como milho, soja, trigo, arroz e hortaliças. Os resultados são especialmente expressivos em solos tropicais, onde a atividade biológica desempenha papel fundamental na disponibilidade de nutrientes.

No Brasil, trabalhos conduzidos pela Embrapa também destacam o potencial desses inoculantes biológicos para reduzir parcialmente a necessidade de adubação nitrogenada, contribuindo para diminuir custos de produção e aumentar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

As aplicações podem ser realizadas no tratamento de sementes, diretamente no sulco de plantio ou por meio de produtos líquidos aplicados ao solo. Em muitos casos, as bactérias são utilizadas em conjunto com outras tecnologias biológicas, como fungos micorrízicos e bioestimulantes.

Com o avanço dos bioinsumos no campo, as PGPR se tornam cada vez mais uma alternativa viável para produtores que desejam aumentar a eficiência produtiva sem abrir mão da saúde do solo.

🔧 Orientação: Ao utilizar inoculantes biológicos, siga as recomendações de armazenamento e aplicação do fabricante. Como se trata de organismos vivos, o manejo correto é fundamental para garantir sua sobrevivência e eficiência no campo.

Referências:

Backer R. et al. (2018). Plant Growth-Promoting Rhizobacteria: Context, Mechanisms of Action, and Roadmap to Commercialization. Frontiers in Plant Science.

Vejan P. et al. (2016). Role of Plant Growth Promoting Rhizobacteria in Agricultural Sustainability. Molecules.

Olanrewaju O.S. et al. (2017). Mechanisms of Action of Plant Growth Promoting Bacteria. World Journal of Microbiology and Biotechnology.

Publicações da Embrapa sobre Azospirillum e inoculantes biológicos (disponíveis no portal da Embrapa Agrobiologia).

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