Agricultura

Algas marinhas fortalecem a defesa natural das plantas

Estudos da Embrapa, USP e revistascientíficas internacionais comprovam o potencial dos extratos de algas como bioindutores na agricultura.

Daniel Vilar
Especialista
8 min de leitura
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Os extratos de algas marinhas estão ganhando espaço na agricultura como uma alternativa para fortalecer as plantas e reduzir a dependência de defensivos químicos. Estudos científicos mostram que compostos presentes em espécies como Ascophyllum nodosum atuam como bioindutores naturais, estimulando mecanismos internos de defesa contra doenças, pragas e estresses ambientais.

Diferentemente dos pesticidas convencionais, que atuam diretamente sobre o agente causador do problema, os extratos de algas funcionam como um sinal de alerta para a planta. Ao reconhecer determinadas moléculas presentes nesses produtos, a planta ativa uma série de respostas fisiológicas que a deixam mais preparada para enfrentar futuras ameaças.

Pesquisas apontam que compostos como laminarina, fucoidanos, alginatos e outros polissacarídeos presentes nas algas desencadeiam processos de sinalização celular que estimulam a produção de enzimas de defesa, antioxidantes e compostos naturais capazes de dificultar a ação de fungos, bactérias e outros patógenos.

Entre os efeitos observados estão o aumento da atividade de enzimas como peroxidases, quitinases e polifenol oxidases, além do reforço das paredes celulares por meio da deposição de lignina. Na prática, isso cria uma barreira física e bioquímica mais eficiente contra agentes causadores de doenças.

Estudos publicados por instituições como a USP, a Embrapa e revistas científicas internacionais também mostram que os extratos de algas podem ativar mecanismos conhecidos como Resistência Sistêmica Adquirida (SAR) e Resistência Sistêmica Induzida (ISR). Esses sistemas funcionam como uma espécie de “memória imunológica” das plantas, permitindo respostas mais rápidas e eficientes quando ocorre um ataque real.

Além da proteção contra patógenos, os extratos também têm demonstrado benefícios em situações de estresse hídrico, altas temperaturas, salinidade e outras condições adversas. Isso ocorre porque os compostos presentes nas algas ajudam a regular hormônios vegetais, aumentar a atividade antioxidante e melhorar o equilíbrio fisiológico das plantas.

Os resultados têm sido observados em diversas culturas, incluindo soja, milho, café, tomate, batata, videira, hortaliças e pastagens. Dependendo da cultura e do produto utilizado, as aplicações podem ser feitas via pulverização foliar, fertirrigação ou tratamento de sementes.

Para o produtor rural, o uso desses bioestimulantes pode representar uma ferramenta complementar dentro do manejo integrado, contribuindo para reduzir perdas, aumentar a resiliência das lavouras e melhorar o aproveitamento dos recursos naturais.

Embora não substituam completamente outras estratégias de manejo, os extratos de algas vêm se consolidando como aliados importantes na construção de sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis.

🔧 Orientação: Antes de investir em bioestimulantes à base de algas, verifique a composição do produto, a concentração dos extratos e as recomendações específicas para sua cultura. O melhor resultado costuma ocorrer quando a aplicação é feita de forma preventiva, antes de períodos de maior pressão de doenças ou estresses climáticos.

Doses recomendadas (baseadas em estudos com Ascophyllum nodosum):

  • Foliar: 1 a 5 mL/L de extrato concentrado (ou 0,5–3 g/L se em pó), equivalente a 500–1000 mL/ha do produto comercial em volume de calda normal.

  • Aplicações: 3–6 vezes por ciclo, em intervalos de 15–40 dias, preferencialmente nas fases de crescimento vegetativo, pré-florescimento e antes/depois de estresse (seca, calor, frio ou ataque de praga).

  • Solo/fertirrigação: 5 mL/L como drench — algumas pesquisas indicam ser ainda mais eficaz que foliar em certos casos.

  • Tratamento de sementes: Diluições menores (0,5–2%) para melhorar germinação e vigor inicial.

Culturas que respondem bem: tomate, soja, milho, café, batata-doce, videira, hortaliças e pastagens.

Referências:

  1. Shukla PS, Borza T, Critchley AT, Prithiviraj B (2019) Ascophyllum nodosum-Based Biostimulants: Sustainable Applications in Agriculture for the Stimulation of Plant Growth, Stress Tolerance, and Disease Management. Frontiers in Plant Science

  2. De Saeger J et al. (2020) Toward the molecular understanding of the action mechanism of Ascophyllum nodosum extracts on plants. Journal of Applied Phycology

  3. Ali O et al. (2021) Biostimulant Properties of Seaweed Extracts in Plants. Plants (MDPI) – PMC

  4. Shukla PS et al. (2021) Seaweed-Based Compounds and Products for Sustainable Agriculture. Marine Drugs.

  5. Carvalho MEA, Castro PRC (2014) Extratos de algas e suas aplicações na agricultura. Série Produtor Rural nº 56 – ESALQ/USP

  6. Embrapa – Estudo com algas brasileiras como bioestimulantes.

  7. Documento Embrapa sobre extrato de algas marinhas (Ascophyllum nodosum):

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