Agricultura

Agricultores dos EUA já começam sofrer com a alta do diesel

Em Wisconsin, o diesel chegou a US$ 5,87 por galão. Em Indiana, alcançou US$ 6,17 por galão, enquanto em Illinois atingiu US$ 6,14.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Produtores de milho e soja dos Estados Unidos estão enfrentando um forte aumento nos custos de produção devido à disparada dos preços do diesel. O problema ganhou força após os conflitos no Oriente Médio afetarem o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de combustíveis do mundo.

Segundo dados divulgados por analistas do mercado norte-americano, o preço médio do diesel nos Estados Unidos aumentou mais de 40% desde o início da crise. Em alguns estados do Meio-Oeste, principal região produtora de grãos do país, os valores atingiram recordes históricos durante o mês de maio.

Em Wisconsin, o diesel chegou a US$ 5,87 por galão. Em Indiana, alcançou US$ 6,17 por galão, enquanto em Illinois atingiu US$ 6,14. Outros estados importantes para a produção agrícola, como Ohio e Michigan, também registraram máximas históricas.

O aumento ocorreu justamente no período em que os agricultores intensificam atividades essenciais no campo, como plantio, pulverização, adubação e demais operações de manejo. Como a maior parte das máquinas agrícolas norte-americanas depende exclusivamente de motores a diesel, os produtores têm pouca margem para reduzir esse custo.

Além do aumento dos combustíveis, os agricultores já enfrentavam um cenário desafiador. A combinação de preços mais baixos para milho e soja, custos elevados de insumos e problemas climáticos tem reduzido as margens de lucro por quatro anos consecutivos.

De acordo com estimativas da Universidade de Illinois, antes da crise energética os gastos com combustível representavam entre 3% e 4% dos custos de produção das lavouras, variando de US$ 16 a US$ 23 por acre. Com os preços atuais do diesel, essa participação pode subir para 5% ou 6%, elevando o custo médio para aproximadamente US$ 30 por acre.

Na prática, alguns produtores já começaram a adiar investimentos e reduzir operações para economizar combustível. Um agricultor de Indiana relatou que deixou de realizar parte da preparação do solo em áreas recém-arrendadas para preservar o diesel armazenado na propriedade. Outro produtor de Nebraska afirmou estar pagando fretes mais caros para transportar milho até os compradores, aumentando ainda mais os custos da atividade.

A preocupação do setor é que a situação possa se agravar nos próximos meses. Especialistas alertam que a continuidade dos conflitos e eventuais dificuldades nas negociações internacionais podem pressionar ainda mais os preços do petróleo e dos combustíveis.

Outro fator que preocupa o mercado é a redução dos estoques de diesel nos Estados Unidos. Dados da Administração de Informação de Energia norte-americana mostram que os estoques de combustíveis destilados, categoria que inclui o diesel, atingiram em maio o menor nível dos últimos 23 anos.

Embora essa realidade esteja ocorrendo nos Estados Unidos, seus reflexos podem ser sentidos globalmente. Custos mais elevados de produção e logística em um dos maiores exportadores mundiais de milho e soja podem influenciar o comércio internacional e impactar os preços agrícolas em diversos países.

Exemplo prático: Se os custos de produção continuarem aumentando nos Estados Unidos, parte dos agricultores pode reduzir investimentos ou buscar compensação por meio de preços mais altos para os grãos, afetando a dinâmica do mercado mundial.

🔧 Orientação prática: Para produtores brasileiros, este é um momento importante para acompanhar não apenas os preços das commodities, mas também os mercados de petróleo, diesel e fertilizantes. Movimentos nesses setores podem influenciar diretamente os custos de produção e as oportunidades de comercialização da próxima safra.

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