Agricultura

Adubação de Pós-Plantio, Cobertura e Formação do Cafeeiro Conilon

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Adubação de Pós-Plantio, Cobertura e Formação do Cafeeiro Conilon
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Uma das dúvidas mais comuns na cafeicultura, especialmente entre quem está iniciando na condução nutricional do Coffea canephora (café conilon), é sobre a diferença entre adubação de pós-plantio, adubação de cobertura, adubação de formação e quando realmente entram as marchas de absorção, como a proposta por Partelli et al. (2019).

Neste artigo, vamos esclarecer esses conceitos, explicar quando cada estratégia deve ser usada e por que a adubação de formação é fundamental para a eficiência produtiva futura da lavoura.

A adubação da formação exclui a adubação de pós-plantio?

A resposta é direta: não exclui.
Na prática, a adubação proposta para a formação do cafeeiro já é, tecnicamente, uma adubação de pós-plantio — trata-se principalmente de uma questão de nomenclatura.

No contexto técnico, podemos afirmar que:

  • A adubação de pós-plantio,
  • A adubação de cobertura,
  • E a adubação de formação,

São estratégias que frequentemente se sobrepõem no tempo e nos objetivos, com pequenas diferenças conceituais, mas com a mesma função central: sustentar o crescimento vegetativo, o sistema radicular e a arquitetura da planta jovem.

Ou seja, a adubação apresentada como “cobertura e formação” também pode ser chamada corretamente de adubação de pós-plantio, sem qualquer erro técnico.

Veja também: Pé de café: Como entender a morfologia para melhorar o cultivo

A adubação de formação é eficiente para o cafeeiro conilon?

Sim, e muito.
A adubação proposta nessa fase é baseada nos principais materiais técnicos sobre nutrição do Coffea canephora, elaborados por instituições e autores de referência nacional, além de estar consolidada na prática, especialmente em áreas de cafeicultura fertirrigada.

A eficiência dessa estratégia ocorre porque ela:

  • Garante formação estrutural da planta,
  • Estimula crescimento radicular profundo,
  • Sustenta emissão de ramos produtivos,
  • E prepara a lavoura para expressar seu potencial máximo no início da fase produtiva.

Uma formação mal nutrida não é corrigida depois apenas com aumento de adubação na fase adulta. O erro na formação gera limitação produtiva permanente.

Quando começa e quando termina a adubação de pós-plantio, cobertura e formação?

Tecnicamente, considera-se que a adubação de pós-plantio / cobertura / formação:

  • Inicia-se após o pegamento das mudas, o que geralmente ocorre entre 15 a 30 dias após o plantio;
  • Estende-se até a primeira florada comercial da lavoura, ou seja, aquela florada que já gera uma produção próxima ao potencial produtivo da área.

O tempo total dessa fase depende diretamente da época de plantio das mudas, podendo variar bastante:

  • Em plantios realizados entre outubro e dezembro, essa fase dura cerca de 10 meses;
  • Em plantios entre janeiro e março, pode se estender por até 19 meses, conforme indicado por Campanharo et al. (2020).

Somente após a primeira florada comercial é que se inicia, de fato, a adubação de produção.

As marchas de absorção devem ser usadas na formação do cafeeiro?

Essa é outra dúvida muito comum — e a resposta é: não.

As marchas de absorção, como a proposta por Partelli et al. (2019), são indicadas para:

  • Lavouras já em fase produtiva,
  • Onde a planta expressa claramente seu padrão fisiológico completo de absorção de nutrientes ao longo do ano.

Durante a fase de formação, o cafeeiro ainda:

  • Não possui estrutura vegetativa completa,
  • Não expressa a carga produtiva,
  • Não segue o mesmo ritmo de absorção de uma lavoura adulta.

Por isso, as marchas de absorção não são indicadas para o período de pós-plantio, cobertura e formação.

Qual referência deve ser usada na adubação de formação do conilon?

Para o período de formação, a recomendação técnica correta é utilizar a tabela:

Essa tabela:

  • Leva em conta o mês de plantio das mudas,
  • Ajusta a quantidade e o parcelamento dos nutrientes,
  • E está adequada ao desenvolvimento fisiológico real da planta jovem.

Esse material é a base técnica mais segura para essa fase e está disponível em materiais de apoio e referências técnicas da cultura.

O que é a Adubação de Cobertura e Formação no Coffea Canephora?

A adubação de cobertura e formação no café conilon é o conjunto de aplicações de nutrientes realizadas após o pegamento das mudas até o início da vida produtiva da lavoura.

Seu objetivo principal é:

  • Formar estrutura de planta,
  • Garantir boa arquitetura de ramos,
  • Desenvolver um sistema radicular robusto,
  • Criar uma base nutricional sólida para altas produtividades futuras.

Nessa fase, o foco não é produção de grãos, mas sim:

  • Crescimento vegetativo,
  • Emissão de ramos,
  • Formação de copa,
  • Acúmulo de reservas.

Trata-se da fase mais importante da vida do cafeeiro, porque define o teto produtivo da lavoura.

Quando começa a adubação de produção?

A adubação de produção só começa:

  • Após a primeira florada comercial,
  • Quando a planta já está plenamente estruturada,
  • E passa a direcionar grande parte de seus nutrientes para a formação de frutos.

Somente a partir desse momento é que:

  • As marchas de absorção passam a ser utilizadas corretamente,
  • E a adubação passa a ser fracionada conforme os picos reais de absorção da planta adulta.

Conclusão

A adubação de pós-plantio, cobertura e formação no café conilon:

  • Não se excluem — se complementam,
  • Representam a fase mais estratégica de toda a vida da lavoura,
  • Não devem utilizar marchas de absorção de produção,
  • Devem seguir referências específicas como as propostas por Campanharo et al. (2020),
  • E somente após a primeira florada comercial é que se inicia a adubação de produção baseada em marchas como a de Partelli et al. (2019).

REFERÊNCIAS

CAMPANHARO, M.; FERRÃO, R. G.; FONSECA, A. F. A.; FERRÃO, M. A. G.; VERDIN FILHO, A. C. Recomendações técnicas para o cultivo do café conilon no Espírito Santo. Vitória: Incaper, 2020.

PARTELLI, F. L.; VIEIRA, H. D.; FERREIRA, A.; VIANA, A. P.; RODRIGUES, A. P. S. Marcha de absorção de nutrientes do cafeeiro Conilon. Coffee Science, Lavras, v. 14, n. 2, p. 137–148, 2019.

PREZOTTI, L. C.; GOMES, J. A.; DADALTO, G. G.; OLIVEIRA, J. A. de. Manual de recomendação de calagem e adubação para o Espírito Santo: 5ª aproximação. Vitória: Incaper, 2013.

EMBRAPA. Café conilon: manejo, nutrição e produtividade. Brasília: Embrapa, 2018.

FERREIRA, A. M.; FERRÃO, R. G.; FONSECA, A. F. A. Ecofisiologia, nutrição e produtividade do cafeeiro Conilon. In: Cultura do café Conilon no Brasil. Vitória: Incaper, 2016.

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